Papa reaparece após crise de dor no ciático e pede paz em mensagem de Ano Novo

O Globo
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CIDADE DO VATICANO — O Papa Francisco reapareceu nesta sexta-feira depois que uma dor ciática crônica o forçou a faltar aos serviços religiosos de Ano Novo da Igreja para fazer seu tradicional apelo pela paz mundial, sem mencionar seu problema de saúde.

O Papa não pôde comparecer nem à missa na quinta-feira e nem a da manhã desta sexta-feira por causa da ciática — um problema relativamente comum que causa dor ao longo do nervo ciático, na parte inferior das costas e nas pernas.

Acredita-se que seja a primeira vez desde que se tornou Papa, em 2013, que Francisco, que fez 84 anos no mês passado, foi impedido por motivos de saúde de liderar um grande evento papal.

No entanto, ele não mostrou nenhum sinal de desconforto ao fazer um discurso e uma oração ao meio-dia, em um púlpito na biblioteca do Palácio Apostólico do Vaticano.

"Envio meus melhores votos de paz e serenidade para o novo ano", disse. "Os dolorosos acontecimentos que marcaram a vida da humanidade no ano passado, em particular a pandemia, nos ensinaram como é necessário nos interessar pelos problemas dos outros e compartilhar suas preocupações".

“A vida hoje é governada pela guerra, pela inimizade, por muitas coisas que são destrutivas. Queremos a paz. É uma dádiva”, disse Francisco, acrescentando que a resposta à crise global do coronavírus mostrou a importância da divisão do fardo.

A bênção do meio-dia normalmente é dada de uma janela com vista para a Praça de São Pedro, mas foi movida para dentro para evitar que qualquer multidão se reunisse e limitar a disseminação da Covid-19.

Covid e vacina

Pouco antes do Natal, dois cardeais que fazem parte do círculo íntimo do papa, um polonês e um italiano, contraíram covid-19, levantando dúvidas sobre a proteção de Francisco, 84 anos, que raramente usa máscara.

Embora os encontros oficiais do papa com altos funcionários da Santa Sé sejam comunicados diariamente, o pontífice também tem muitos encontros privados na Casa de Santa Marta, onde vive.

Durante o primeiro confinamento na Itália, Francisco ficava isolado em sua biblioteca aos domingos para a oração do Angelus, mas depois aparecia com frequência, porém brevemente, em uma janela para saudar uma praça de São Pedro quase vazia.

O papa é considerado uma pessoa de risco, considerando que aos 21 anos, em 1957, Jorge Bergoglio sofreu pleurisia aguda e os cirurgiões tiveram que retirar parcialmente o pulmão direito, detalha seu biógrafo Austen Ivereigh.

O Vaticano ainda não indicou quando o argentino deve ser vacinado contra a covid-19.