Papa sugere que visita à República Centro-Africana pode ser cancelada

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Francisco indicou neste domingo que sua visita à República Centro-Africana marcada para este mês pode ser cancelada caso se agrave a violência entre cristãos e muçulmanos no país. Ao falar para dezenas de milhares de pessoas na Praça de São Pedro, o pontífice pediu pelo fim do "ciclo de violência" no país, ao qual tem visita marcada para os dias 28 e 29 de novembro, como parte de uma viagem que inclui também Quênia e Ruanda. Francisco falou da "viagem que espero poder fazer àquele país". Anteriormente, ele havia simplesmente dito que iria. Uma fonte graduada do Vaticano disse que a frase foi escolhida por causa da violência na capital Bangui, onde o papa tem visita marcada a uma mesquita em um dos bairros mais perigosos. "Se a situação piorar, ele não vai poder ir e ele sabe disso", disse a fonte. Na última quinta-feira, quatro pessoas foram mortas em confusões, elevando o número de fatalidades na semana passada para 11, incluindo três negociadores da aliança muçulmana Seleka que visitavam Bangui para conversas de paz. Rebeldes, em sua maioria muçulmanos, da Seleka assumiram o poder no país cristão por meio de um golpe em 2013, provocando reações de milícias cristãs conhecidas como antibalaka. Muçulmanos e cristão têm desde então se dividido em comunidades segregadas por toda o país, uma ex-colônia francesa sem acesso ao mar. Dezenas de milhares de muçulmanos fugiram para o extremo norte, criando, na prática, uma divisão do território. (Reportagem adicional de Crispin Dembassa-Kette)