Paquistão quer levar revogação da Índia sobre Caxemira a instâncias internacionais

Manifestação em Karachi, Paquistão, contra a revogação do status especial da Caxemira pela Índia

O Paquistão quer levar a questão de Caxemira a instâncias internacionais, anunciou nesta terça-feira seu primeiro-ministro, Imran Khan, no dia seguinte em que a Índia revogou a autonomia constitucional da parte desse território que controla e que Islamabad reivindica.

"Lutaremos contra esta medida ante todas as instâncias, incluindo o Conselho de Segurança da ONU", afirmou Imran Khan ante os parlamentares paquistaneses, acrescentando que seu governo também pretende recorrer ao Tribunal Penal Internacional.

Na segunda-feira, o governo da Índia anunciou revogação da autonomia constitucional da Caxemira, uma decisão explosiva que pretende colocar sob sua tutela mais direta esta região rebelde reivindicada pelo Paquistão.

A medida, estipulada em um decreto presidencial aprovado pelos nacionalistas que governam o país, foi anunciada pelo ministro do Interior, Amit Shah, no Parlamento e gerou protestos da oposição.

A decisão também pode provocar uma revolta no vale de Srinagar, de maioria muçulmana.

Muitos habitantes desta região do Himalaia são hostis à Índia e estão comprometidos com sua autonomia, que prevalecia desde o início da república federal indiana há sete décadas.

Para evitar distúrbios, o governo indiano mobilizou nos últimos dias mais de 80.000 agentes na região, que normalmente já é muito militarizada.

A revogação da autonomia da Caxemira era uma promessa de campana dos nacionalistas do premiê Narendra Modi, recentemente reeleito para um segundo mandato.

A Caxemira está dividida de fato entre Índia e Paquistão desde a independência do império colonial britânico em 1947. Os dois países protagonizaram duas guerras por esta região montanhosa.