Paródia sobre BTS feita por TV chilena gera protestos online contra racismo a asiáticos

Louise Queiroga
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Menos de duas semanas após o BTS se posicionar contra o racismo a asiáticos, do qual o próprio grupo foi alvo, um programa de TV no Chile usou atores para imitar os membros do septeto sul-coreano de forma pejorativa e fazendo alusão ao líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un. O episódio gerou revolta entre os fãs do conjunto, chamados armys, que foram responsáveis pelo envio de mais de mil denúncias ao Conselho Nacional de Televisão (CNTV) chileno. Também nas redes sociais, viralizaram a hashtag em espanhol #ElRacismoNoEsComedia e, em inglês, #RacismIsNotComedy.

"O Conselho Nacional de Televisão deve assegurar que atitudes racistas e estereótipos sejam eliminados da televisão chilena. O programa Mi Barrio da MEGA em 10/04/21 é um exemplo claro do que precisa ser mudado", afirma a denúncia, redigida pela fã-base @BTS_Chile no Twitter.

A fã-base que viralizou o caso descreveu a exibição televisiva como "uma paródia do grupo BTS incluindo estereótipos racistas e xenófobos, como ridicularização relacionada a seu idioma, seus nomes e a pandemia, algo extremamente repreensível considerando os ataques discriminatórios que foram recebidos pela comunidade asiática globalmente por causa disso". A @BTS_Chile ressaltou que a transmissão não se tratou de "uma tentativa de humor", mas, sim, "um ataque racista".

O caso repercutiu na imprensa chilena e também na de outros países, incluindo uma publicação no "New York Times", que desaprovou o programa de humor.

"Os fãs de BTS são uma legião ferozmente leal. Eles rapidamente vieram em defesa do grupo e vincularam as piadas a questões mais amplas do racismo anti-asiático e xenofobia que surgiram desde que o coronavírus apareceu pela primeira vez na China", afirmou o jornal norte-americano.

A colunista coreana Kim Jae-Ha se pronunciou sobre o esquete no Twitter, num post que soma mais de 9,7 mil curtidas, ressaltando que nada do que foi mostrado tem graça.

"O racismo não é engraçado. Repetir o nome de um ditador não é inteligente. Tirar sarro de uma língua que você não entende não é bonito. É 2021. Basta, #MyBarrio #ElRacismoNoEsCoemdia", postou.

De acordo com o portal de notícias "BioBioChile", a CNTV recebeu 1.020 reclamações relacionadas ao programa "Mi barrio" até às 13h (horário local) desta segunda-feira, dia 12.

Diante da repercussão, a emissora "Mega" emitiu um comunicado sobre o caso, também na segunda, em que defendeu o uso do humor no programa, mas pediu desculpas pelo roteiro mencionado, ressaltando que ofender não era a intenção.

"Sobre a polêmica desenrolada neste fim de semana em razão de um esquete exibido no programa 'Mi barrio', Megamedia deseja declarar o seguinte:

O humor ajuda as pessoas a lidar com os momentos difícieis da pandemia pela qual estamos passando.

O humor da Mega tem limites claramente estabelecidos em suas orientações programáticas que são de conhecimento público.

No entanto, queremos manifestar nossa absoluta empatia com quem pôde se sentir afetado pela seção 'El de late de Raquel' e pedimos desculpas correspondentes.

Nunca foi nossa intenção ofender, insultar, nem ferir pronenhuma comunidade.

Seguiremos melhorando, aprendendo, escutando e firmes em nossa intenção: levar entretenimento às famílias. Recolhemos todos os comentários positivos e também as críticas para melhorar nossa atuação".

Em 29 de março, o BTS se pronunciou contra o racismo, especialmente a asiáticos, por meio de um comunicado emitido em suas redes sociais, num contexto de aumento dos crimes de ódio nos EUA. Na nota, o septeto, formado por RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jungkook, relembra situações em que os próprios membros foram alvo de discriminação racial.

Recentemente, repercutiu na web, gerando revolta, uma caricatura de uma empresa de cards norte-americana que mostra os sete artistas feridos, como no jogo de "golpear a topeira", enquanto a arma usada para bater neles é um troféu do Grammy. Depois, a Topps pediu desculpas.

E, em fevereiro, um locutor alemão também provocou indignação ao descrever os integrantes como “algum vírus de baixa qualidade que, esperançosamente, também haverá uma vacina”. A emissora de rádio também pediu desculpas.