Para 42% dos brasileiros, saúde deve ser prioridade de Lula

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Para 42% dos brasileiros, saúde é a área que precisa receber mais atenção e ser prioridade do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A área foi eleita como prioritária por todos os gêneros, faixas etárias, níveis socioeconômicos e em todas as regiões do país.

Os dados são de pesquisa do Datafolha realizada presencialmente nos dias 19 e 20 deste mês, com 2.026 pessoas de 16 anos ou mais em 126 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

A educação foi a segunda área mais citada pelos entrevistados. Para 19% dos brasileiros, essa deve ser a prioridade do governo Lula. Desemprego e Fome e miséria aparecem na sequência, com 8% e 7% respectivamente.

A equipe de transição do petista já afirmou que considera a saúde como uma das áreas prioritárias, mas também mais desafiadoras. O grupo tem afirmado que o cenário é de caos na saúde. O presidente eleito escolheu a socióloga Nísia Trindade Lima, 64, para comandar a área. Ela é a primeira mulher a ocupar o cargo em quase 70 anos de história da pasta.

A área acumula uma série de problemas de diversos aspectos, como o desmonte histórico do SUS, perda de recursos, queda na cobertura vacinal e falta de coordenação com estados e municípios.

O principal desafio para melhorar a área é a falta de recursos. Como a Folha mostrou, o governo Jair Bolsonaro (PL) enviou a proposta de Orçamento para 2023 com uma previsão de corte de 42% nas verbas discricionárias do Ministério da Saúde, usadas na compra de materiais, equipamentos e para investimentos.

Além da saúde ter sido indicada como prioridade por todos os grupos analisados na pesquisa, a área também é mais citada tanto por aqueles que declaram ter votado em Lula quanto nos que apoiaram Bolsonaro. Entre os que votaram no petista, 43% disseram que saúde deveria ser prioridade. Já entre os que votaram no atual presidente, 44% citaram a área.

Nos dois grupos, educação aparece em segundo com 17% das citações. A maior diferença entre esses grupos aparece em relação a preocupação com a fome e miséria, essa área foi citada por 10% dos que votaram em Lula e 4% dos que votaram em Bolsonaro.

A preocupação com a saúde é maior entre aqueles com menor renda. A área foi citada como prioridade por 46% daqueles que têm renda familiar de até 2 salários mínimos. Já entre os que têm renda acima de 10 salários mínimos, foi citada por 25%.

Os que têm maior renda são o grupo em que mais entrevistados disseram que a economia deve ser prioridade do próximo governo, citada por 21%. Entre os com menor renda, ela é citada apenas por 3%.

A saúde também é mais citada por pessoas do gênero feminino. Para 45% delas, a área deve ser prioridade. Já para as do gênero masculino, foi citada por 38%.

Já a preocupação com a educação é maior entre os mais jovens. No grupo de 16 a 24 anos, 29% avaliam que essa deve ser a prioridade do governo Lula. A área também sofreu um desmonte nos últimos quatros anos e especialistas avaliam que será preciso reconstruir o Ministério da Educação.

Lula escolheu o ex-governador do Ceará, Camilo Santana (PT), para comandar a pasta.

A pasta acumula uma perda orçamentária de R$ 20 bilhões nos últimos quatro anos, o que deixou as universidades federais sem recursos e resultou no atraso do pagamento de bolsas a pesquisadores.

Além das perdas orçamentárias, especialistas da área também defendem a necessidade de políticas que resgatem o interesse dos jovens e recuperem as perdas de aprendizado após a interrupção das aulas durante a pandemia.

A equipe de transição dos presidente Lula também já defendeu que o próximo governo irá focar na reestruturação do ministério e irá priorizar políticas para a diminuição das desigualdades sociais e educacionais aprofundadas nesse período.

Uma das principais ações já anunciadas pelo grupo é o aumento de recursos para a alimentação escolar. A equipe afirma que a medida está de acordo com a principal bandeira de Lula durante a campanha eleitoral, a redução da miséria e combate à fome no país.

Em agosto, o governo Bolsonaro vetou reajuste aprovado pelo Congresso dos valores previstos para 2023 do Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar). Com o veto, o orçamento da merenda escolar foi reduzido de R$ 4,06 bilhões, em 2021, para R$ 3,96 bilhões neste ano.

O grupo que mais citou o combate à fome e miséria como prioridade para Lula foi o dos que têm mais de 60 anos, sendo mencionado por 13% deles. Os que ganham até 2 salários mínimos também têm maior preocupação com essa área, 8% avaliam que essa deve ser a prioridade.

O presidente eleito tem reforçado em seus discursos que as prioridades de seu novo governo serão o combate à fome e a pobreza e a geração de empregos.