Para 60% dos brasileiros, 2023 será melhor do que 2022, aponta Datafolha

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As divisões políticas na sociedade influenciam o humor do brasileiro em relação ao que esperar do ano que começará no domingo (1º).

Segundo pesquisa do Datafolha realizada nos dias 19 e 20 deste mês, 60% dos entrevistados acham que 2023 será um ano melhor do que 2022.

Os melhores índices de otimismo se encontram, de forma algo previsível, entre grupos associados ao eleitorado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que derrotou o presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno disputado no dia 30 de outubro.

Acham que o ano que vem será melhor que o corrente 66% dos menos instruídos, 68% dos mais pobres, 75% dos nordestinos e 87% daqueles que consideram o governo Bolsonaro ruim ou péssimo.

No cômputo geral, os brasileiros estão menos otimistas do que há um ano, quando 73% achavam que a situação iria ser melhor em 2022.

O nível atual de boa expectativa é o mesmo registrado em 2020 (58%), ano impactado pela chegada da pandemia de Covid-19 e a disrupção do cotidiano da maioria das pessoas.

Na mão inversa do otimismo, o pessimismo deu um salto, passando de 8% em 2021 para 22% agora -voltando ao patamar de dois anos atrás, 21%.

Novamente, as tintas políticas se fazem visíveis: acham que 2023 será pior do que 2022 44% dos mais ricos, eleitorado que mais apoiou o presidente na campanha, e 45% dos eleitores que aprovam o governo Bolsonaro.

A proporção daqueles que consideram que o ano seguinte será igual ao atual se manteve estável. Foi de 18% em 2020, 15% em 2021 e, agora, novamente 15%. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Quando questionados sobre a percepção pessoal sobre o ano que vem, os índices são semelhantes: em 2020, 68% achavam que sua vida seria melhor no ano seguinte, número que subiu a 76% em 2021 e agora voltou a 66%. Na aferição de agora, 15% acham que tudo ficará como está e 16%, que 2023 será pior.

No levantamento, o Datafolha quis saber como os brasileiros se sentem morando no país, uma questão que é feita desde março de 2000 pelo instituto.

A satisfação caiu de 72% em agosto de 2019, na mais recente rodada sobre o tema, para 59% agora. Consideram que o Brasil é um país regular para se viver 33%, enquanto 9% o consideram ruim ou péssimo.

Na série histórica, o maior índice de ótimo e bom atingido no item foi em julho de 2005, quando o primeiro governo Lula colhia resultados econômicos favoráveis, embora estivesse em meio ao turbilhão de seu primeiro grande escândalo de corrupção, o mensalão.

Já o momento de maior insatisfação do brasileiro foi registrado em abril de 2018, mês marcado pela agonia política do impopular governo de Michel Temer (MDB), que acumulava meses de desgaste por denúncias de corrupção, e por fatos como a prisão de Lula pela Lava Jato. Lá, 23% dos ouvidos consideravam ruim ou péssimo morar no Brasil.

Já o orgulho de ser brasileiro permaneceu estável em relação a setembro, data da mais recente aferição, com 77%. O maior índice da série desde 2000 foi registrado em julho de 2005, mesmo mês do auge da satisfação em morar no país. Já aqueles que têm mais vergonha do que orgulho de serem brasileiros permaneceram em 21%.

O momento em que essa taxa esteve mais alta na série histórica ocorreu em junho de 2017, quando estava em plena erupção o caso Joesley Batista e o governo Temer vivia por um fio. Lá, 47% tinham mais vergonha do que orgulho, empate técnico com quem achava o contrário (50%).

Nesta nova pesquisa, o Datafolha ouviu 2.026 eleitores em 126 cidades do país.