Para 64%, governo Lula conseguirá controlar próximos atos golpistas, aponta Datafolha

Após atos terroristas em Brasília, Lula decretou intervenção na segurança do DF - Foto: Joedson Alves/Anadolu Agency via Getty Images
Após atos terroristas em Brasília, Lula decretou intervenção na segurança do DF - Foto: Joedson Alves/Anadolu Agency via Getty Images

A maioria dos brasileiros acredita que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) irá conter qualquer escalada nas manifestações golpistas contra sua posse e governo. Para 64%, o petista tem condições de fazê-lo, enquanto 29% acham que ele irá fracassar no intento.

É o que mostra pesquisa feita na terça (10) e quarta (11) pelo Datafolha, na esteira da explosão de vandalismo e violência que se abateu no centro do poder federal no domingo (8), com ampla depredação das principais sedes do Executivo, Legislativo e Judiciário. Mais de mil pessoas seguem presas.

O instituto ouviu por telefone 1.214 pessoas com mais de 16 anos. A margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais para mais ou menos.

Não souberam avaliar a capacidade de Lula ante novos atos 6%. A totalização dos dados não chega a 100% porque há arredondamentos

Com efeito, entre os eleitores do petista, a crença em que ele vá conter o golpismo futuro é de 87%, índice que cai a 36% quando são ouvidos aqueles que votaram em Bolsonaro em outubro passado.

A maioria dos eleitores bolsonaristas, 55%, acredita que Lula fracassará. Nesta quarta (11), o esquema de segurança especial montado na Esplanada dos Ministérios e outros pontos do país contra um protesto marcado por meio de redes sociais contra a posse e o governo do petista acabou não encontrando nenhuma pessoa para reprimir.

Acham mais que ele será eficaz ao evitar novos atos aqueles mais velhos, com 60 anos ou mais (72%), enquanto os mais jovens (16 a 24 anos na amostra populacional do Datafolha) são mais céticos: 37% creem que ele não conseguirá.

O processo de intervenção federal na segurança do Distrito Federal, medida tomada por Lula após a inação e conivência percebidas das forças policiais locais no domingo, foi aprovado por 82% dos entrevistados.

Câmara e Senado já ratificaram a medida, que deixará como interventor o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Cappelli. Para 14% dos ouvidos, Lula agiu mal, índice que sobe a 32% entre eleitores bolsonaristas. Não souberam responder 4%.

Em outra frente de reação à crise, o afastamento decretado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), tem apoio majoritário, mas menor.

O emedebista foi apontado pelo magistrado como conivente com a ausência de controle que levou ao caos do domingo, e será alvo de apuração durante os 90 dias em que ficará afastado da função.

Segundo o Datafolha, 60% aprovaram a medida de Moraes, principal símbolo da luta contra atos antidemocráticos hoje. Outros 32% consideraram o afastamento um erro e 7%, não se manifestaram.

Novamente, a filiação bolsonarista de Ibaneis trouxe a ele mais simpatia por parte de eleitores do ex-presidente. Entre eles, 27% concordaram com Moraes e 68%, discordaram.