Para 77% dos professores, profissão é desvalorizada no Brasil

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SAO PAULO, BRAZIL - OCTOBER 23: Students attend a face-to-face class maintaining social distance at the Teacher Milton da Silva Rodrigues state schoolas part of the gradual return of in-person education amidst the coronavirus (COVID-19) pandemic on October 23, 2020 in Sao Paulo, Brazil. Public and private schools in the state can reopen the doors to carry out on-site extracurricular activities to reinforce and welcome students. (Photo by Miguel Schincariol/Getty Images)
Foto: Miguel Schincariol/Getty Images.
  • Para 74%, profissionais não são respeitados

  • Ainda assim, maioria sente orgulho em ser educador

  • Profissão também é mal remunerada

Em meio à pandemia de covid-19, o trabalho dos professores ficou nos holofotes. Em meio a um processo de adaptação ao mundo digital, esses profissionais conviveram com um sentimento de desvalorização. É o que mostra uma pesquisa do Instituto Península que revelou que na percepção de 74% desses profissionais os professores não são respeitados no Brasil, enquanto que para 77% a profissão é desvalorizada.

A pesquisa, que falou com profissionais de escolas públicas e particulares entre setembro e outubro deste ano, revelou também que mais da metade (52%) declara que é "um orgulho ser professor no Brasil". Além disso, dois em cada três deles optariam por dar aulas novamente, se pudessem voltar no tempo.

No dia 15 de outubro, quando se comemora o Dia do Professor, o Instituto Península organiza uma ação, na qual cinco professores - um de cada região do país - são fotografados com uma palavra que aparece na pesquisa e representa a valorização que buscam.

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O professor Romildo Calixto Amaro, da rede estadual de Minas Gerais, leva a palavra “amor”. "Amor é a capacidade de fazer algo que tenha significado, amor é algo que foge da lógica tecnocrática", afirmou sobre a profissão.

As fotos estão exibidas, a partir de hoje e até o dia 15 de novembro, na Estação Santa Cecília do Metrô de São Paulo.

Hoje, o Brasil tem mais de 2 milhões de professores, entre escolas públicas e particulares, cujo piso salarial determinado por lei é de R$ 3 mil. Sobre a remuneração, apenas 18% afirmaram receber um valor compatível com a complexidade de sua atuação, enquanto 90% declarou que sua profissão não recebe bons salários.

Ainda assim, a maioria dos professores valorizam mais melhoras nas condições de trabalho, aprimoramento na carreira e reconhecimento da sociedade do que aumento de salário.

"Uma parte da falta de reconhecimento da sociedade é o não entendimento de que sem a educação o resto das engrenagens do País vai rodar capenga", disse a diretora executiva do Instituto Península, Heloisa Morel. "E o professor é a peça-chave para a transformação, para o desenvolvimento do País."

A pesquisa, intitulada Valorização da carreira docente: um olhar dos professores, foi realizada com 1,1 mil professores de todo o país. A maioria tem entre 36 e 45 anos, dá aulas no ensino fundamental e é mulher.

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