Para 89% dos pais, filhos passaram a ficar mais tempo em frente a telas durante pandemia, diz Datafolha

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SÃO PAULO — Para 9 em cada 10 pais de filhos com idade entre 6 e 18 anos, ou 89% deles, suas crianças e adolescentes têm passado mais tempo em frente a telas, com celular, TV e video game, durante a pandemia. É o que aponta uma pesquisa Datafolha publicada nesta sexta-feira pela "Folha de S.Paulo".

O levantamento identificou que cerca de um quarto dos brasileiros (24%) tem filhos nessa faixa etária. Entre esses pais, 15% têm um filho, 7% têm dois filhos, e 2% são pais de três ou mais crianças ou adolescentes.

Com a crise sanitária desde março de 2020, muitas pessoas deixaram de trabalhar presencialmente e passaram a conviver mais com os filhos em casa, que também se isolaram durante o fechamento das escolas. Encomendada pelo C6 Bank, a pesquisa busca avaliar esses impactos na educação.

O Datafolha indica que 69% dos pais dizem acreditar que seus filhos ficaram mais dependentes deles durante a pandemia. Para 64%, os filhos ficaram mais irritados, ansiosos ou estressados. Para 54%, os filhos engordaram. Para 52%, os filhos ficaram mais tristes. E, para 45%, os filhos passaram a se queixar de que se sentem sozinhos.

Entre os pais de filhos nessa faixa etária, 95% declararam que as crianças e adolescentes estão matriculados em escolas. São 81% em escolas públicas e 12% na rede privada. O acesso ao ensino a distância é de 91% entre os matriculados: 90% na rede pública e 99% na rede particular.

Quando perguntados sobre o que acham da qualidade do ensino à distância, 18% dos pais o avaliam como péssimo, 13% como ruim, 30% como regular, 27% como bom e 11% como ótimo. Pais de filhos matriculados em escolas públicas avaliam pior, em média, o serviço: 19% deles consideram o ensino a distância dos filhos como péssimo, por exemplo, enquanto a taxa cai para 10% entre pais de crianças e adolescentes da rede privada.

O Datafolha também mediu os impactos negativos desse tipo de ensino para as crianças e adolescentes. Para 46% dos pais, os filhos começaram a ter dificuldades para aprender. Para 39%, os filhos perderam a capacidade de concentração. Para 35%, perderam o interesse na escola. Para 22%, o ensino a distância afetou o psicológico dos filhos. Para 10%, a alimentação piorou com a falta da merenda escolas. Para 9%, não houve impactos.

Com a volta do funcionamento das escolas, ainda que parcialmente, 27% dos pais dizem que seus filhos estão comparecendo a aulas presenciais. Se considerados apenas os pais de matriculados na rede privada, essa taxa é de 55%.

Quando aqueles cujos filhos ainda não voltaram para a escola são perguntados sobre o motivo disso, 68% respondem que a escola não reabriu; 13% dizem que a pandemia está pior em sua cidade; 7%, que não querem arriscar se contaminar com o coronavírus; 6%, que os filhos têm problema de saúde; 6%, que ainda não há vacina para todos; 6%, que a escola não pode garantir a segurança dos alunos; e 5% respondem ter pessoas do grupo de risco em casa.

O Datafolha entrevistou presencialmente 2.079 brasileiros com mais de 16 anos, entre 10 e 14 de maio, em todas as regiões do Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos na amostra total. Considerando apenas a amostra de pais de crianças ou adolescentes (744 entrevistados), a taxa é quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.

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