Para ajudar Bolsonaro, pastores e empresários criam fundo para financiar campanha

Grupo formado por pastores e empresários financia distribuição de material de campanha de Jair Bolsonaro (Foto: Paulo Lopes/Anadolu Agency via Getty Images)
Grupo formado por pastores e empresários financia distribuição de material de campanha de Jair Bolsonaro (Foto: Paulo Lopes/Anadolu Agency via Getty Images)

Um grupo formado por empresários e pastores tem se articulado para impulsionar a campanha à reeleição de Jair Bolsonaro (PL). Segundo revelado pelo Estadão, foi criado um fundo financeiro para produzir materiais para a campanha bolsonarista.

O grupo se chama “Casa da Pátria” e funciona como uma divulgação paralela. Nenhum dos gastos aparece na prestação de contas da campanha do presidente. De acordo com especialistas ouvidos pelo jornal, a prática poderia configurar Caixa 2.

Ao Estadão, um dos coordenadores do grupo, Raimundo Barreto afirmou ser um “movimento independente”. “Lógico que existe um custo para isso. Existem grandes empresários, líderes, que vão fazer um fundo para imprimir isso aí”, afirmou. Barreto disse que entre os envolvidos estão pessoas especializadas em gráfica e logística.

O “Casa da Pátria” se apresenta como “o maior movimento civil de apoio” a Jair Bolsonaro. A idealização foi do Movimento Acorda, crítico do Supremo Tribunal Federal. Pastores e lideranças religiosas fazem parte do grupo.

Os membros planejam, criam e distribuem material de campanha de Bolsonaro, com o objetivo de que as casas dos eleitores se tornem “comitês de apoio” ao presidente da República.

Raimundo Barreto, explica o jornal, é dono de uma empresa, a Ícone Marketin, que recolhe dados de eleitores, como Whatsapp e endereço, para fazer a divulgação. “Eles me contrataram. Contrataram, não. Foi prestação de serviço, né? Somos voluntários. Eu desenvolvi a página e toda a estratégia de marketing do Casa da Pátria”, declarou. Segundo o Estadão, durante a pandemia, Barreto receneu R$ 5,3 mil por meio do auxílio emergencial.

Pela lei eleitoral, é proibido fazer propaganda eleitoral em sites de pessoas jurídicas. No caso da campanha Casa da Pátria, não há registro na Justiça Eleitoral de que o endereço seria usado por Bolsonaro. Além disso, todos os custos envolvidos, de acordo com especialistas, tendem a ser maiores do que o limite estipulado para gastos de campanhas espontâneas de apoiadores, que é de R$ 1.064,10.

No dia 29 de agosto, representantes do Casa Pátria estiveram com Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada. O encontro foi registrado pela página do grupo.

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