Para além das (muitas) polêmicas nas redes, Weintraub mostra péssima gestão na Educação

(AP Photo/Eraldo Peres)

Entre os ministros do atual governo, o troféu de campeão de polêmicas em redes sociais é de Abraham Weintraub, ministro da Educação. Enquanto a mídia e os internautas estavam discutindo sobre Paulo Freire ou sobre os erros de ortografia do ministro, a educação do Brasil acumulou resultados negativos em 2019.

“O ministro da Educação está mais preocupado em causar nas redes sociais do que fazer política pública”, disse a deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP), notória por seus discursos contra o primeiro escalão do Ministério da Educação (MEC) desde o começo do governo Bolsonaro.

Relatório apresentado em dezembro pela comissão externa da Câmara dos Deputados criada para acompanhar os trabalhos do Ministério da Educação avaliou o planejamento e a gestão do MEC como “muito aquém do esperado e insuficientes para dar conta dos desafios educacionais que se apresentam no país”.

Outro fator preocupante, segundo o texto, é a baixa execução orçamentária em diversos programas, como o projeto de ensino de jovens e adultos, que ficou próximo de zero.

A comissão destacou ainda que os sucessivos bloqueios de recursos teriam prejudicado, por exemplo, a concessão de bolsas de estudo no ensino superior, o apoio ao funcionamento de institutos federais e a manutenção da educação infantil. 

Em 2019, um bloqueio de 30% do Orçamento da pasta atingiu compra de livros didáticos para escolas públicas e suspensão nas bolsas de pesquisa do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Milhares de pessoas foram às ruas, em 250 cidades, em manifestação ao corte das verbas.

Mas o ministro travou mesmo uma guerra com as universidades públicas federais. Além do contingenciamento, passou a interferir nos processos de escolha e nomeação de reitores e ameaçou distribuir os recursos de forma arbitrária.

Em cerca de nove meses frente ao Ministério da Educação, Weintraub deu diversas declarações contra as universidades públicas, afirmando que abrigam plantações de maconha, produção de drogas sintéticas, festas com pessoas peladas e balbúrdia.

Até o Enem 2019, apontado como um sucesso pelo MEC, teve problemas com as notas.

“Meu twitter, minhas regras”

Entre as polêmicas do ministro da Educação nas redes sociais, estão os erros de ortografia. No Twitter escreveu imprecionante, suspenção e paralização, enquanto o correto seria impressionante, suspensão e paralisação.

Além disso, ele canta em vídeos, dispara ataques à esquerda, à imprensa, a Paulo Freire e às universidades federais e tece muitos elogios ao presidente e ao governo.

A postagem mais famosa do ministro é o vídeo dançando com guarda-chuva e cantando “singing in the rain”, do musical Dançando na chuva. Tudo para se proteger da “chuva de fake news”, como ele chamou.

Teve ainda outro vídeo com óculos escuro, dizendo “Ab is out” e deixando o microfone cair, meme da internet que significa “lacração”.

Em post a favor da monarquia, respondeu a uma internauta que o criticava: “Uma pena, prefiro cuidar dos estábulos, ficaria mais perto da égua sarnenta e desdentada da sua mãe”.

Ministros de Bolsonaro acumulam polêmicas nas redes sociais

O presidente Jair Bolsonaro gosta de polêmicas e estimula esse tipo de comportamento entre seus ministros e apoiadores. 

“O presidente sempre se valeu de polêmicas. Sobreviveu sendo um espetáculo de si próprio com as declarações que aumentam a repercussão do que é dito. No outro lado recebe um retorno positivo de seus apoiadores mais fieis, que lhe proferiram a alcunha de ‘mito’”, analisam as jornalistas Deyse Cioccari e Simonetta Persichetti no artigo “A campanha eleitoral permanente de Jair
Bolsonaro: O deputado, o candidato e o presidente”.

Normalmente, os ministros mais “engajados” das redes sociais, e também os mais polêmicos, são ligados à ala ideológica do governo, identificada com o escritor Olavo de Carvalho. Além de divulgarem as ações de seus ministérios, eles atacam a esquerda, a imprensa, opositores e até discutem com internautas.

O desejo de causar polêmica é tão grande, que às vezes ultrapassam os limites. Roberto Alvim foi demitido na semana passada do cargo de secretário especial de Cultura, depois de postar vídeo em que apresenta o “Prêmio Nacional das Artes” parafraseando um texto do chefe da publicidade e propaganda de Hitler. O repúdio ao discurso dele veio de várias frentes, de dentro do governo, do Legislativo, da Embaixada da Alemanha e de federações israelitas. Alvim também fazia parte da ala olavista do governo.