Para atravessar o Túnel Novo, todo cuidado é pouco, dizem pedestres

Larissa Medeiros*
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Custodio Coimbra / Agência O Globo
Custodio Coimbra / Agência O Globo

RIO — A Polícia Militar garante que o Túnel Novo recebe policiamento 24 horas por dia. Mas pedestres que cruzam a passagem entre Copacabana e Botafogo dizem que os roubos na travessia são recorrentes a qualquer hora. De acordo com relatos de moradores, o perigo no local é pauta antiga para quem utiliza as duas galerias.

Horácio Magalhães, presidente da Associação de Moradores de Copacabana (Amacopa), que afirma manter contato direto com o batalhão do bairro, diz que a falta de policiais no sentido Botafogo-Copacabana torna a fuga do assaltante mais fácil.

— Há policiamento 24 horas no lado do 19º BPM (Copacabana), mas nada adianta ter em um lado se não há vigilância do 2º BPM (Botafogo) no outro. O bandido vai fugir para o lado onde não tem — diz.

A PM informa que não há registros de ocorrência de roubos ou furtos em ambos os batalhões nos últimos dois meses.

A moradora Alice Passos passou por momentos de tensão em 2018, quando foi abordada às 14h por três menores enquanto andava na ciclovia que passa pelo túnel. Apesar de não terem concluído o assalto, ela conta que lembra até do susto. Desde essa abordagem, passou a tomar mais cuidado quando precisa cruzar o Túnel Novo a pé.

— Apesar de nunca mais ter acontecido nada comigo depois dessa vez, sempre evito passar lá em determinados horários; à noite, por exemplo, quando tem menos gente circulando — afirma.

Reclamações como a de Alice são recorrentes em grupos de moradores de Copacabana e Botafogo. Divanyr Rodrigues, que mora em Copacabana há quase seis anos e precisa passar pelo local para ir ao trabalho, conta que evita andar pela passagem ao olhar os alertas que recebe constantemente pelo grupo e por amigos.

— Uma amiga minha já foi assaltada no túnel. Muitas vezes eu pego ônibus apenas para atravessar a passagem porque tenho medo de andar ali. Só atravesso a pé se tiver viatura da polícia parada na entrada — afirma ela, revelando um hábito cultivado por outros moradores dos dois bairros e garantindo que a vigilância é mais frequente na galeria no sentido Copacabana-Botafogo.

Márcia Duarte, moradora de Copacabana há 40 anos e que também já foi vítima de um ataque no local, afirma que esses casos são recorrentes, e os efeitos do policiamento, paliativos.

— O patrulhamento age, mas na maioria das vezes os ladrões são menores de idade e não ficam muito tempo detidos. Toda Copacabana está abandonada — critica Márcia.

Segundo a PM, o policiamento é feito com uso de carros, motocicletas e agentes a pé, e as ações são realizadas rotineiramente para reprimir práticas criminosas nas áreas mencionadas. A polícia ainda reforça que as reclamações por meio do Disque-Denúncia ou pelo 190 são essenciais para a revisão do planejamento operacional.

*Estagiária, sob a supervisão de Milton Calmon Filho