Para Bolsonaro, Brasil 'tem que deixar de ser país de maricas' ante a covid-19

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O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em 25 de agosto de 2020 em Brasília
O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em 25 de agosto de 2020 em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro reiterou nesta terça-feira (10) sua despreocupação com o avanço da covid-19 e deixou escapar em um evento oficial em Brasília: "Tem que deixar de ser um país de maricas". 

"Tudo agora é pandemia, tem que acabar com esse negócio. Lamento os mortos, lamento. Todos nós vamos morrer um dia, aqui todo mundo vai morrer. Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas. Olha que prato cheio para imprensa. Prato cheio para a urubuzada que está ali atrás. Temos que enfrentar de peito aberto, lutar", disse o presidente no Palácio do Planalto, sede do governo federal. 

As declarações foram feitas durante discurso oficial sobre o turismo. 

A pandemia da covid-19 deixou mais de 160.000 mortos e 5,6 milhões contaminados no país, onde analistas e pesquisadores insistem que há um alto número de casos subnotificados.

Nesta terça-feira, Bolsonaro já havia chamado a atenção ao comemorar como vitória pessoal a suspensão da fase de testes da vacina CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac. 

"Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O Presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha", declarou o presidente no Facebook.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou na segunda-feira que decidiu interromper o ensaio clínico da vacina CoronaVac devido a um "evento adverso grave" registrado em 29 de outubro, embora o instituto Butantan, responsável pelos testes, e o governo de São Paulo, cujo governador João Doria é o principal adversário político de Bolsonaro, digam que a morte não tem relação com a vacina. 

O Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo informou à AFP que o caso mencionado foi registrado e está sendo investigado como suicídio.

A informação não foi confirmada pela Anvisa, cujo diretor-presidente, Antônio Barra Torres, defendeu nesta terça, durante coletiva de imprensa, que a suspensão decidida na véspera deveu-se a motivos técnicos.

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