Para chefe do BID, único Plano Marshall para AL é o aumento de capital da instituição

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O edifício do Capitólio dos EUA é visto em um dia frio e ensolarado de inverno enquanto o Congresso está em sessão em Washington em 29 de dezembro de 2020. O congresso norte-americano terá o poder de decidir um possível aumento do capital do BID, o banco interamericano de desenvolvimento, do qual é sócio majoritário.

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Mauricio Claver-Carone, disse nesta quinta-feira (4) que o único Plano Marshall que a América Latina pode receber para se recuperar da pandemia é um aumento de capital desta entidade regional, com uma proposta na mesa no Congresso dos Estados Unidos.

"O único Plano Marshall disponível para a América Latina é chamado de aumento de capital do BID. Esta é a realidade", disse Claver-Carone, o primeiro americano a liderar a instituição, em um colóquio virtual.

Claver-Carone lamentou que, historicamente, tanto o Partido Democrata quanto os Republicanos tenham prestado pouca atenção a esse banco de desenvolvimento com sede em Washington.

"Estou tentando criar um novo tipo de consenso bipartidário", disse o presidente do BID, que foi assessor do governo do ex-presidente republicano Donald Trump.

Sua eleição para comandar o organismo multilateral gerou polêmica na região, já que ele rompeu um pacto não escrito segundo o qual durante seus 60 anos de existência o banco sempre foi dirigido por um latino-americano.

Em dezembro, o senador democrata Bob Menéndez e seu colega republicano Marco Rubio apresentaram um projeto de lei para o representante dos Estados Unidos no banco - que é o acionista majoritário - votar a favor de um aumento de capital de 80 bilhões de dólares.

Esse projeto legislativo permitiria que a capacidade de empréstimo do banco crescesse para cerca de 20 bilhões a cada ano, montante próximo aos 21,6 bilhões emprestados em 2020, quando, devido à pandemia, houve um desembolso excepcional.

A pandemia deixou 606.045 mortos na América Latina e no Caribe e, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), neste ano o PIB da região crescerá 4,1%, após uma contração de 7,4% em 2020.

Claver-Carone disse que o BID é o credor preferencial para a América Latina, mas se a entidade não der um passo à frente e tiver os recursos disponíveis, “a região buscará alternativas”.

Este advogado de 46 anos, de ascendência cubana e natural de Miami, quer que sua presidência seja um contrapeso à influência chinesa na região.

"Depende dos Estados Unidos e do Congresso dos EUA apoiar um aumento de capital para o banco", disse Claver-Carone. "Espero que tenhamos aprendido com os erros do passado", afirmou.

- Realocar-se na região -

Para Claver-Carone, este projeto "poderia ser o primeiro verdadeiro Plano Marshall desde a Aliança para o Progresso", promovida pelo ex-presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, na década de 1960.

O Plano Marshall foi um programa americano para reconstruir a Europa após a Segunda Guerra Mundial.

Um dos eixos do plano do novo presidente do BID, que substituiu o colombiano Luis Alberto Moreno em outubro do último ano, é captar para a região o fluxo de empresas que realocaram seus serviços para China e Ásia, e que após a pandemia buscam uma alternativa mais próxima.

Claver-Carone destacou que o objetivo da próxima assembleia de governadores - que será realizada em Barranquilla em formato semi-virtual entre os dias 17 e 21 de março - é lançar um "conjunto de ferramentas de 'nearshoring'", um processo no qual empresas que têm terceirizado serviços para destinos mais distantes escolhem locais mais próximos, e neste caso seria na região da América Latina.

"Podemos ajudar o setor privado não apenas a encontrar essas oportunidades, mas também podemos oferecer incentivos para realocar-se na região", explicou.

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