Para combater coronavírus, Santa Catarina suspende de eventos religiosos a entradas de hóspedes em hotéis

João Paulo Saconi

RIO - Com pelo menos sete casos do novo coronavírus confirmados no estado até a noite desta terça-feira, o governo de Santa Catarina decidiu declarar estado de emergência e impor medidas inéditas de restrição para o convívio social. Em coletiva de imprensa realizada no Centro Integrado de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cigerd) de Florianópolis, o governador Carlos Moisés (PSL) anunciou a assinatura de um decreto com validade inicial de sete dias que suspenderá desde a entrada de novos hóspedes na rede hoteleira do estado até a realização de eventos com qualquer tipo de aglomerações, como cultos e missas.

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— Estamos enfrentando um problema invisível e por isso optamos pela medida restritiva que demonstra responsabilidade com a nossa comunidade — afirmou o governador: — O que queremos agora neste movimento que estamos fazendo é diminuir o número de transmissão do coronavírus para que quando chegarmos a um grau de contágio elevado em Santa Catarina, e é normal que isso aconteça porque o vírus já está no estado, possamos cuidar bem dos pacientes.

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Entre as medidas anunciadas por Carlos Moisés estão a interrupção da circulação de ônibus intermunicipais e interestaduais, bem como o fechamento de academias, shoppings, restaurantes, comércios e todos os serviços públicos considerados não essenciais — a exceção é para as atividades dos setores de saúde, funerária, drogarias, mercados e abastecimento de água e gás. Estão impedidas ainda a entrada de novos hóspedes no setor hoteleiro, que será oficialmente orientado a como proceder em relação a reservas já vendidas, e a realização de eventos com qualquer tipo de aglomeração.

Durante a coletiva, o próprio governador citou o exemplo de festas de aniversário, cultos e missas na lista daqueles que não devem ser realizados no estado. Ele também mencionou que novos encontros com a imprensa para tratar das medidas adotadas podem ocorrer por meio de ferramentas digitais, uma vez que a administração estadual pretende interromper até mesmo aglomerações que envolvem representantes do poder público e profissionais de mídia, ainda com a intenção de desacelerar a dispersão do coronavírus.

Também há determinação para que a indústria catarinense passe a operar com capacidade mínima necessária em regiões em que houver casos de transmissão comunitária de coronavírus (quando não é possível saber como o contágio ocorreu). Além das sete confirmações registradas pelo Ministério da Saúde, há ainda 220 casos suspeitos e 55 descartados.