Para conter inflação, EUA devem elevar taxa de juros pela 6ª vez consecutiva nesta quarta-feira

O Federal Reserve (Fed), banco central americano, divulga a decisão sobre a sua política monetária às 15h (horário de Brasília) desta quarta-feira. É esperado um anúncio de alta de 0,75 ponto percentual (p.p.), que, caso se concretize, será a sexta elevação consecutiva na taxa de juro.

Investidores ainda estão atentos a declarações dos dirigentes que possam indicar uma redução do ritmo do aumento da taxa nos próximos meses.

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O temor é que as constantes elevações no juro para desaquecer a economia dos Estados Unidos _ e, assim, controlar a inflação _ levem, por tabela, o mundo inteiro a uma recessão.

Ao mesmo tempo, se o Fed sinalizar que vai diminuir o ritmo do aperto monetário, outros bancos centrais podem ser encorajados a fazer o mesmo. Nas últimas semanas, alguns já entregaram aumentos de juros menores, como o Banco do Canadá e o Banco da Reserva da Austrália.

Atualmente, o juro americano está no intervalo entre 3% e 3,25%, o maior patamar desde 2008. No comunicado de setembro, a estimativa era que a taxa de juros ficasse em 4,4% no fim de 2022. Analistas de mercado já veem, no entanto, a taxa próxima a 5% no fim do ano.

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Em uma rede social, o ex-secretário do Tesouro Larry Summers disse nesta terça-feira que, embora haja um “coro crescente” para o Fed interromper os aumentos das taxas de juros logo, essa decisão seria ​​“muito equivocada”.

"A história sugere que, uma vez gerada, a alta inflação é muito difícil de parar. A grande maioria dos esforços para deter a inflação falhou nos países industrializados. Se o Federal Reserve não cumprir a expectativa atual de que as taxas se aproximarão de 5%, os mercados e outros verão isso como uma flexibilização.

Em suma, especialmente considerando seus erros passados, o Fed deve permanecer no curso atual e depois avaliar as coisas", opinou na postagem.

Fabio Fares, especialista em análise macro da Quantzed, espera que o Fed mantenha um discurso duro de combate à inflação. Mesmo assim, prevê um aumento de 0,75 p.p. nesta quarta-feira, outro de 0,50 p.p na próxima reunião, além de mais duas altas de 0,25 p.p. cada uma até o fim do ciclo da alta, em março.

— O mercado de trabalho continua apertado e a inflação, enraizada. A redução do ritmo da alta não significa que o Fed vai parar de subir a taxa de juros, mas que vai dar tempo para ela ir se acomodando — explica Fares. — A transição entre aumentar juros e isso chegar à economia demora cerca de nove meses.

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Nesta terça-feira, o Departamento do Trabalho apontou em seu relatório mensal Jolts que as vagas de emprego nos EUA subiram inesperadamente em 437 mil em setembro, sugerindo que a demanda por mão de obra continua forte.

Assim, o número de vagas disponíveis saltou para 10,7 milhões, quando a expectativa era desacelerar para 10 milhões de postos.

Além do elevado número de oportunidades no mercado de trabalho, Rafael Marques, economista e CEO da Philos Invest, diz que resultados positivos na maioria dos balanços do terceiro trimestre de empresas que compõem o S&P 500 indicam que a economia ainda está muito aquecida e que não é hora de interromper o ciclo de alta.

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Para ele, é praticamente impossível levar a inflação americana de volta à meta de 2% tão cedo.

— A decisão está praticamente definida. A espera maior é pela entrevista após a divulgação, explicando se o Fed vai começar a desacelerar o pace — comentou Marques.

Caso o presidente do Fed, Jerome Powell, aponte uma alta de juros em dezembro em ritmo menor, o bom humor pode se estabelecer nos mercados, provocando ganhos nos índices de Wall Street e, ainda, repercutindo em bolsas de outros países.