Para criar parque Augusta, Doria vai oferecer terrenos a construtoras

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), vai oferecer terrenos públicos para indenizar as construtoras Setin e Cyrela, donas do terreno do futuro parque Augusta, na região central da cidade.

Desde a gestão Fernando Haddad (PT), as construtoras travam um embate com a administração municipal e com a Promotoria para construir um empreendimento imobiliário no local, que incluiria um parque aberto ao público.

Ativistas chegaram a ocupar a área para impedir a realização do projeto privado, e a gestão Haddad passou a negociar a compra do terreno.

A decisão do tucano foi comunicada aos promotores na última segunda (17). "Concordamos em encontrar uma solução conjunta. O encontro com o Ministério Público foi muito positivo, mas não conclusivo. Nos próximos 30 dias deveremos ter um caminho que atenda ao interesse de todos", disse Doria ao jornal "O Estado de S. Estado", que divulgou o fato nesta quarta (19).

De acordo com o jornal, a prefeitura vai localizar terrenos públicos que tenham o mesmo valor da área do parque, que fica no espaço formado pela ruas Augusta, Caio Prado e Marquês de Paranaguá, na Consolação, e os oferecerá às empresas. Ao aceitar esses terrenos, as empresas cederão a área da região central para a prefeitura -que, segundo o secretário de Justiça, Anderson Pomini, vai procurar parceiros privados para fazer as obras de adaptação necessárias. Em troca, ficariam com a gestão do parque.

"Uma preocupação do prefeito é não criar uma estrutura que a prefeitura tenha de carregar no futuro. Os parques da cidade estão sucateados e não queremos ter mais esse custo", disse o secretário. Outra meta é uma solução que não exija investimentos diretos do poder público -e aí a concordância com a cessão de terrenos.

Em nota conjunta, as construtoras Cyrela e a Setin afirmaram que "estão à disposição da prefeitura para qualquer eventual esclarecimento e diálogo referente ao terreno", embora lembrem, no texto, que já têm aprovações para a construção de quatro torres na área.

Ao jornal, Pomini disse que Doria já começou as tratativas com as construtoras e uma nova reunião, "no fim da semana ou, no mais tardar, na semana que vem", deve ser realizada para que as negociações avancem.

Nos cadastros da Secretaria Municipal da Fazenda, a área de 23 mil m² aparece dividida em dois lotes, com valor venal de R$ 122,7 milhões. "Os terrenos (que serão oferecidos em troca) ainda estão sendo levantados, mas provavelmente, por esse valor, será mais de um terreno", afirma Pomini ao jornal.

Como a transação envolve a cessão de bens, ela terá de passar por aprovação em duas votações na Câmara Municipal. A proposta de acordo também exigirá homologação judicial. Há um decreto da gestão Jânio Quadros, de 1989, que obriga a manutenção da área aberta. Outra regra, de 2004, determinou tombamento do bosque do terreno. Em 2013, uma lei municipal previu a criação do parque no local.

AMIGO DA FAMÍLIA HORN

A família de João Doria é amiga da família Horn, que controla a Cyrela e que é uma das donas do terreno. A empresa chegou a realizar no ano passado uma exposição para homenagear a carreira de artista plástica da mulher de Doria, Bia.

A amizade de Doria com a família Horn é antiga. Em um perfil do fundador da construtora, Elie Horn, publicado em 2006 na revista "Exame", Doria opinou sobre o modo de vestir do amigo. "Seus ternos são a la Antonio Ermírio de Moraes", disse à publicação.

Em 2016, Doria e Bia posaram com o filho do fundador da empresa, Efraim, durante a exposição da construtora para comemorar os 14 anos de carreira da artista. O evento foi realizado em um empreendimento de luxo da empresa na Vila Olímpia. Elie Horn doou R$ 100 mil à campanha de Doria, a mesma contribuição que fez a Marta Suplicy (PMDB), Celso Russomanno (PRB) e Haddad.