Para dar conta da demanda, Niterói constrói mais sepulturas em três cemitérios

Giovanni Mourão
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NITERÓI — Assim como nos hospitais, os impactos da pandemia se refletem numa maior pressão por vagas nos cemitérios de Niterói, que nunca foram tão demandados como atualmente. Com a alta de casos da doença e mortes este ano, a situação vem se agravando: familiares precisam esperar até dois dias para sepultarem seus entes queridos, segundo relatos de agentes funerários. E dados da prefeitura apontam que no primeiro trimestre deste ano foram realizados 81 enterros a mais nos cemitérios públicos da cidade em relação ao mesmo período do ano passado: o número saltou de 870 para 951.

Na quinta-feira, um agente funerário que preferiu não se identificar disse que a alta demanda tem atrasado os enterros: “No Maruí, os sepultamentos estão demorando cerca de 48 horas para serem realizados. A média lá é de dez por dia. Os coveiros estão trabalhando bastante, e todos os hospitais estão cheios. Ontem, eu fui ao Hospital Oceânico e, só lá, havia pelo menos dez corpos na refrigeração. Fui no (Hospital Municipal) Carlos Tortelly e contei 12 corpos na geladeira”, resumiu o agente.

Na última terça-feira, o município publicou um decreto que reduz, enquanto durar a pandemia, o prazo mínimo para abertura de jazigos e exumação dos restos mortais de três anos para dois anos e nove meses. A prefeitura espera que a medida resulte na abertura de 750 vagas em três meses.

Outra medida para acolher a alta expressiva na demanda dos três cemitérios municipais (Maruí, no Barreto; São Lázaro, em Itaipu; e São Francisco Xavier, em Charitas) foi a recente contratação de 302 gavetas e a construção de 50 carneiros no Maruí. No São Francisco, estão sendo construídas 240 gavetas. Também foi iniciada uma reforma de ampliação no São Lázaro.

De acordo com o secretário municipal de Obras, Vicente Temperini, os cemitérios municipais têm a capacidade de sepultar 31 pessoas por dia: 15 no Maruí, oito no São Lázaro e oito no São Francisco.

— Criamos um setor de acolhimento para receber, orientar e encaminhar o cidadão de acordo com cada necessidade. Neste momento tão difícil para as famílias, conseguimos encaminhar os sepultamentos nos prazos legais (entre 24 e 72 horas após a solicitação). O objetivo é salvar vidas, mas não faltaram planejamento e ações para garantir o sepultamento digno, com as medidas de segurança necessárias para funcionários e familiares — afirma.

No ano passado, ainda no início da pandemia, o Maruí já havia recebido cem carneiros e 352 gavetas. No São Lázaro, foram construídas 160 gavetas. A prefeitura também contratou 120 serviços de cremação, além da preparação de área para duas mil covas rasas nos três cemitérios e urnas para atender pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Para evitar a propagação do novo coronavírus, a prefeitura diz que todas as capelas dos cemitérios estão fechadas, e os velórios estão sendo realizados na varanda por, no máximo, uma hora, com a urna lacrada, no caso de mortes com suspeita ou confirmação de Covid-19, além de um limite de cinco pessoas próximas à urna e controle de acesso para evitar aglomerações.

Rede privada

Niterói tem somente um cemitério privado: o Parque da Colina, no Cantagalo, que também é o único com crematório. Procurado, o local não divulgou dados sobre enterros devido “à política interna da empresa”.

Um novo cemitério particular em Várzea das Moças, o Memorial Campo da Paz, tem previsão para ser inaugurado em 2022. A empresa responsável, contudo, afirma que “o crematório será entregue ainda este ano para suprir a demanda reprimida”.

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