Para democrata que perdeu um filho, processo contra Trump tem dimensão 'pessoal'

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O legislador democrata Jamie Raskin no Capitólio em 9 de fevereiro de 2021

O legislador democrata Jamie Raskin, que atua como promotor de acusação no processo político contra Donald Trump no Senado, falou no plenário como a violenta tomada do Capitólio teve uma "dimensão pessoal" para ele e sua família, que viviam o luto pela morte de seu filho.

Raskin fez várias pausas em seu relato para conter as lágrimas, enquanto contava que às vésperas dos tumultos ele enterrou um de seus filhos que cometeu suicídio na noite do Ano Novo.

"Este processo tem uma dimensão pessoal", declarou com a voz embargada. "Espero que isso lembre aos Estados Unidos até que ponto a democracia é uma questão pessoal", acrescentou.

Raskin apresenta acusações contra o ex-presidente republicano por "incitamento à insurreição" por seu papel no violento ataque ao Capitólio em 6 de janeiro.

O congressista democrata havia perdido seu filho de 25 anos, que cometeu suicídio após lutar por anos contra a depressão. Resolveu, então, convidar a filha mais nova e o marido da outra filha para acompanhá-lo ao Capitólio, pois naquele dia não poderia faltar ao trabalho porque o Congresso teria que ratificar a contagem dos votos das eleições presidenciais de novembro.

Seus familiares queriam acompanhá-lo nesse momento de dor, mas quando os apoiadores de Trump invadiram o prédio, eles foram separados.

"Os meninos se esconderam embaixo de uma mesa para enviar seus textos de despedida e sussurrar suas palavras de adeus por telefone", disse o representante de Maryland, que disse a outros congressistas que em meio ao caos, arrancou o alfinete que os identificava como membros eleitos do Congresso.

Quando Raskin conseguiu se reunir com sua família, ele se desculpou com sua filha e prometeu que na próxima vez que ela voltasse para o Capitólio as coisas seriam diferentes.

Sua filha respondeu: "Pai, nunca mais quero voltar para o Capitólio". O legislador disse que de todas as coisas que viu e ouviu naquele dia foi a que mais lhe causou dor.

"Isso e ver alguém usar uma bandeira americana para espancar um policial impiedosamente", disse ele.

"Houve pessoas que morreram naquele dia, agentes que sofreram fraturas no crânio", acrescentou ele, implorando aos senadores que responsabilizassem Trump por esses eventos.

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