Para diminuir filas do CadÚnico na Zona Oeste, Assistência Social em Movimento vai atender em Santa Cruz

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O Auxílio Brasil, que vai começar a ser pago hoje e vai até 30 de novembro para 14,6 milhões de beneficiários já inscritos no Bolsa Família, tem levado multidões aos Centros de Referência e Assistência Social (CRAS). Desde o anúncio do fim do programa Bolsa Família e da criação do Auxílio Brasil as filas que entram pela madrugada são vistas nas calçadas dos CRAS em todo país. No Rio de Janeiro, o Extra esteve nas zonas Norte e Oeste e foi ver de perto a situação de mães e famílias inteiras que, angustiadas pela falta de informações, e por temor de não ter o mínimo para sobreviver, procuraram os centros para fazer inscrição ou atualizar o Cadastro Único (CadÚnico) visando o Auxílio Brasil.

Para desafogar os CRAS, nesta quarta-feira vai ocorrer o projeto Assistência em Movimento, que leva os serviços da Secretaria Municipal de Assistência Social para o público das regiões mais vulneráveis da cidade. A ação acontecerá em Santa Cruz apenas para atendimentos do CadÚnico, que é a porta de entrada de programas sociais do governo federal. O atendimento vai das 9h às 17h, no Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos de Santa Cruz, que fica na Rua do Império nº 573, em Santa Cruz.

A expectativa é de que as filas de possíveis beneficiários do Auxílio Brasil diminuam na Zona Oeste, região que concentra mais atendimentos. A situação é tão crítica que há quem não consiga atendimento e seja agendado somente para janeiro do ano que vem.

O Ministério da Cidadania tem informado que não é preciso atualizar o CadÚnico e garantiu ao Extra que todos os habilitados ao programa serão contemplados. Agora em novembro, segundo a pasta, serão beneficiadas 14,6 milhões de pessoas inscritas no extinto Bolsa Família.

No entanto frisou que "a inscrição no Cadastro Único não resulta na imediata concessão dos benefícios do Auxílio Brasil".

De acordo com a Cidadania, "serão priorizadas famílias a partir de critérios baseados num conjunto de indicadores sociais capazes de estabelecer com mais precisão as situações de vulnerabilidade social e econômica".

Detran vai participar da ação

A programação desta semana da Assistência Social em Movimento previa atendimento no Catumbi, mas a secretária municipal de Assistência Social, Laura Carneiro, determinou que fosse transferida para Santa Cruz para desafogar o atendimento dos CRAS da região. Além dos atendimentos de CadÚnico, o Detran também atenderá para documentação civil.

Outros serviços oferecidos pelo Assistência em Movimento são atendimentos técnicos de CREAS (Centros de Referência Especializados de Assistência Social); orientação e atendimentos sobre CPF, mundo do trabalho, Carteira do Idoso, convivência e fortalecimento de vínculos; inscrições para cursos de qualificação profissional, entre outros.

Na semana passada, o Extra conversou com a gestante Paola Fernanda Barbosa, de 27 anos de idade, moradora da Favela do Aço, em Paciência, na Zona Oeste do Rio. A jovem é mais uma das milhares de pessoas que buscou os Centros de referência e Assistência Social (CRAS) para tirar dúvidas e atualizar o cadastro para receber o Auxílio Brasil, programa substituto do extinto Bolsa Família. O temor de Paola é o mesmo de milhares que se aglomeram nos postos: será que vou receber o novo auxílio?

Paola, que dormiu na porta do CRAS Professora Helenice Nunes Jacintho, reclama do descaso das pessoas com a população que fica à míngua nas calçadas à espera de atendimento. Ela conta que recebe R$ 130 do extinto Bolsa Família e que por ter mudado de endereço ficou com medo que informações desatualizadas no Cadastro Único (CadÚnico) pudessem impedir o recebimento do Auxílio Brasil, lançado pelo governo Bolsonaro. Paola chegou às 21h na porta do posto e só foi atendida no dia seguinte às 10h.

— Estive no CRAS mais cedo e não consegui atendimento, mesmo dizendo que estou grávida. Os funcionários só dão 13 senhas de manhã e 13 senhas de tarde não importando a quantidade de pessoas que estejam na fila — reclama Paola.

Outra que pernoitou na porta do CRAS foi Tamires Rosa, 19 anos, moradora da Favela do Aço, em Paciência. Ela conta que chegou as 19h de quarta-feira na porta do CRAS Professora Helenice Nunes Jacintho por preocupação com a distribuição de senhas. Tamires foi a primeira da fila nesta quinta-feira.

— Quem foi lá me falou que está muito cheio mesmo e que a fila estava virando a esquina. Como só estavam atendendo 13 pessoas de manhã e 13 de tarde fui um dia antes para garantir atendimento — conta Tamires, que é mãe solo de uma menina de 6 anos.

Os R$ 400 anunciados pelo governo, no entanto, dependem da aprovação da PEC dos Precatórios, que autoriza o governo a pegar os recursos de dívidas que têm com cidadãos, estados e municípios para pagar o programa de transferência de renda, o que para Nilda é "descobrir um santo para cobrir outro".

— O governo dá com uma das mãos e tira com a outra. Aumenta o Bolsa família mas não controla os preços e a gente acaba gastando mais para comprar menos — lamenta.

A ação, ou falta dela, também é citada por Rosângela Cabral, de 63 anos de idade, moradora de Madureira, na Zona Norte do Rio, que esperava atendimento no CRAS José Carlos Campos, em Rocha Miranda.

— Estou desempregada e com a minha idade as pessoas não contratam mais, o que dificulta a minha vida — diz Rosângela, que nunca recebeu Bolsa Família e estava esperando para fazer sua inscrição no CadÚnico.

— Com o fim do Auxílio Emergencial fiquei sem renda e não sei como vou fazer para sobreviver. Seria muito bom que os governantes olhassem mais para os pobres. É uma vergonha o que estão fazendo com os brasileiros, não merecíamos passar por tantas privações — diz Rosângela.

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