Para ex-presidente Santos, paz é irreversível na Colômbia

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Ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos (2010-2018) durante entrevista com a AFP (AFP/Raul ARBOLEDA)
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Quando encontrou o chefe guerrilheiro, os dois fizeram uma confissão: "Você e eu queremos nos matar há muitíssimos anos". Hoje, o ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos vê Rodrigo Londoño como aliado na defesa da paz prometida por ambos há cinco anos.

Em uma entrevista à AFP, Santos usa anedotas o tempo todo. Conta que, em 2015, depois de compartilharem suas intenções mútuas de homicídio (quatro anos antes, por exemplo, Santos havia ordenado matar o antecessor de Londoño no comando rebelde), o presidente disse a ele: "Estaremos remando no mesmo barco e na mesma direção, que é a direção da paz".

A profecia foi cumprida.

Santos defende a vontade de paz de Londoño, ou Timochenko, o último chefe das então Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Por mais de meio século, esta rebelião de 13.000 homens e mulheres buscou o poder em vão, em um conflito que deixou centenas de milhares de vítimas - a maioria civis.

Cinco anos depois da promessa de paz, o ex-presidente de 70 anos compartilha sua análise e celebra que o governo conservador de Iván Duque tenha embarcado "no trem da paz" e queira cumprir o acordo, apesar de sua tentativa frustrada de modificá-lo.

Pergunta: Qual é seu balanço?

Resposta: Gostaria que celebrássemos esses cinco anos porque (...), por um lado, 95% ou mais dos ex-guerrilheiros estão dentro do acordo, porque a justiça especial para a paz (...) funcionou e está avançando mais rápido do que qualquer outro acordo na história recente. A desmobilização, o desarmamento e a reintegração foram cumpridos em tempo recorde. Muitíssimos acordos foram desfeitos, fracassaram nos primeiros três, quatro, cinco anos.

Por outro, muitos pontos do acordo não foram implementados, têm problemas e ainda temos mais dez anos para resolver isso.

P: A paz é irreversível?

R: Sem dúvida, este acordo é irreversível (...). Nenhum acordo teve tanto apoio da comunidade internacional. Nenhum acordo, como o acordo de paz que assinamos há cinco anos, teve resoluções apoiadas com unanimidade por parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

P: O acordo compensou as vítimas?

R: Acredito que foi feito um esforço enorme. Não podemos esquecer que há mais de nove milhões de vítimas. Isso não tem precedentes em nenhum lugar do mundo. O fato de termos compensado um milhão de vítimas também não tem precedentes (...). Falta muito? É claro, mas isso vai passar por gerações. Sempre haverá grupos de vítimas que vão dizer "precisamos de indenização".

P: A violência está retornando a várias regiões do país...

R: Quem diz que a violência que estamos vendo é produto do acordo, está equivocado. É a falta de implementação dos acordos. A violência que estamos vendo, o assassinato de ex-combatentes - já estamos em cerca de 300 -, dos líderes sociais que têm a ver com pontos do acordo, como, por exemplo, a restituição de terras, a substituição voluntária de cultivos ilícitos, a parte ambiental... Isso se deve a uma falta de política de segurança do Estado colombiano. (...) Era evidente que as Farc deixariam as áreas que controlavam e que haveria uma disputa por esses territórios.

P: A ex-guerrilha cumpriu (sua parte)?

R: Em termos gerais, sim. Acredito que, com o que fizeram com a justiça especial da paz, de reconhecer os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade, é um passo importantíssimo. Não podemos esquecer que este acordo é o primeiro no mundo, no qual as duas partes concordam em um sistema de justiça e aceitam se submeter a esse sistema.

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