Para governadores, megaleilão frustrou expectativas, mas recursos serão bem-vindos

Eliane Oliveira

BRASÍLIA - Governadores ouvidos pelo GLOBO lamentaram que a arrecadação do leilão do excedente da cessão onerosa tenha ficado R$ 36,6 bilhões abaixo do montante previsto anteriormente pela União, de R$ 106,5 bilhões. Porém, diante das dificuldades fiscais pelas quais passam as unidades da federação, a avaliação é que recursos em caixa neste momento são bem-vindos.

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É o caso, por exemplo, do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM). Segundo ele, o estado não tem dinheiro para investir e amarga um déficit previdenciário mensal de R$ 230 milhões.

- Independentemente de não ter atingido a meta esperada, já é um dinheiro em caixa para o estado ou o município, que vai ajudar a desafogar. É extremamente positivo e fundamental para socorrer áreas como infraestrutura, saúde, entre outras - afirmou Caiado.

Por determinação do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), o secretário de Desenvolvimento do estado, Marcos Navarro, viajou ao Rio para acompanhar "in loco" o leilão da cessão onerosa. Para ele, apesar da expectativa frustrada, o valor arrecadado terá impacto positivo sobre toda a cadeia produtiva de óleo e gás na região, com destaque para as indústrias naval e metal-mecânicas.

- Com relação à arrecadação, houve frustração. De qualquer forma, um leilão como esse mexe com toda a cadeia produtiva e é motivo de comemoração. Existe uma demanda do mercado de exploração "off shore" de 70 plataformas - enfatizou Navarro.

Wellington Dias (PT), governador do Piauí, admitiu ter se surpreendido com o resultado do leilão. Esperava uma arrecadação superior à projetada pelo governo federal.

- Eu mesmo, levado pelo otimismo do governo, esperava até um ágio, acima dos R$ 106 bilhões do bônus de assinatura e para todos os blocos. A frustração para estados e municípios e, creio eu, para a União e o setor privado, é muito grande - declarou Dias.

Já o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), disse que o resultado do leilão acabou afetando negativamente a economia brasileira. Acrescentou que o país precisa, neste momento, de segurança jurídica e institucional.

- O resultado do leilão frustrou a expectativa dos estados, dos municípios, da União e trouxe instabilidade a economia nacional. É importante que se verifique o que levou a isso. O Brasil precisa de segurança jurídica e institucional para avançar na agenda que permita a retomada do crescimento e da geração de novos empregos -afirmou.

Essa preocupação também foi demonstrada pelo governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM). Ele mencionou, especificamente, a ausência de apresentação de propostas nos lotes ofertados no leilão, o que, em sua opinião, pode indicar um clima de desconfiança em relação ao país.

- Pode significar uma desconfiança em relação aos lotes ou até mesmo a inviabilidade dos mesmos. Neste momento, o Brasil precisa colocar todos os projetos em marcha, para a retomada da economia brasileira - disse Mendes.

Outros governadores procurados não se manifestaram. São eles o de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB); e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB).