Para Guedes, país vai quebrar com reajuste de servidores

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  • Paulo Roberto Nunes Guedes
    Economista brasileiro, ministro da Economia do Brasil

A crescente pressão por reajustes salariais, após o presidente Jair Bolsonaro ordenar um aumento salarial para policiais federais, agentes penitenciários e Polícia Rodoviária Federal, fez crescer a mobilização de outras categorias por reajustes salariais. Esse movimento crescente fez o ministro da Economia, Paulo Guedes, enviar mensagens ao "chefe", para grupos de ministros e também para integrantes da equipe econômica alertando que os aumentos de servidores podem quebrar o país.

O teor das mensagens foi revelado em primeira mão pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo. O texto foi encaminhado pelo ministro da Economia na última segunda-feira e mostra o nível de preocupação do chefe da área econômica de Bolsonaro às vésperas de um ano eleitoral.

"Se aumentarmos os salários e a doença (Covid-19) voltar, QUEBRAMOS!", alertou Guedes, que escreveu vários trechos em letras maiúsculas para tentar reforçar seus argumentos.

O ministro comparou os riscos fiscais de reajustes generalizados à tragédia de Brumadinho, que matou quase 300 pessoas. E citou a derrota do ex-presidente argentino Maurício Macri, de direita, que perdeu a reeleição para um candidato de esquerda em 2019, para alertar sobre uma piora na economia caso os reajustes levem a um descontrole nos gastos do governo.

"Temos que ficar FIRMES! (Do contrário, os aumentos serão igual a) Brumadinho: pequenos vazamentos sucessivos até explodir barragem e morrerem todos na lama".

A pressão por reajustes partiu dos auditores fiscais da Receita Federal, que entregaram mais de 700 cargos de chefia e decidiram realizar "operações tartarugas" a partir de segunda-feira. Segundo um auxiliar de Guedes, há temor de uma greve geral.

Bolsonaro teria sido aconselhado a recuar no aumento para os policiais como uma forma de se fortalecer para enfrentar uma paralisação generalizada de servidores, mas não demonstra que fará isso.

O presidente alega que a categoria é merecedora, que Guedes entende de economia, mas quem entende de política é ele. Há forte pressão do Palácio para furar o teto de gastos, disse o interlocutor.

— O Ministro insiste no discurso de que os reajustes teriam que ser concedidos no contexto da Reforma Administrativa, mas não vejo como casar os tempos políticos de cada coisa. O governo está numa sinuca e dificilmente conseguirá negociar um arranjo razoável — avalia essa fonte.

As mensagens de Guedes indicam preocupação com as contas públicas. Ele lembra que, após policiais, já há pressão de servidores do Banco Central e da Receita Federal.

"Estamos em ECONOMIA DE GUERRA contra a PANDEMIA. Quem pede aumento agora não quer pagar pela guerra contra o vírus", escreveu Guedes.

Nos textos enviados a Bolsonaro e demais ministros, Guedes voltou a defender uma reforma administrativa, cuja proposta não avança no Congresso, como alternativa para o reajuste dos servidores.

"Ok, se houver reestruturação de uma carreira; melhor ainda se dentro de uma reforma administrativa. Reforma administrativa corta 30 bilhões por ano poderia aumentar 10% salários do funcionalismo APÓS A REFORMA, valorizando o funcionalismo atual, pois ficaria zero a zero”.

"SEM ISTO, reajuste geral para funcionalismo é INFLAÇÃO SUBINDO, BRUMADINHO E MACRI nas eleições!", afirmou.

Outro integrante da equipe econômica reforça que o ministro insiste no discurso de que os reajustes teriam que ser concedidos "no contexto da Reforma Administrativa". Segundo ele, que também pediu sigilo, nem sempre é possivel "casar os tempos políticos de cada coisa".

"O governo está numa sinuca e dificilmente conseguirá negociar um arranjo razoável", afirmou.

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