Para INSS, aposentado está morto, mas ele passa bem: 'É uma desolação tremenda passar por isso'

Parece "causo" repetido, mas não é: um idoso teve o pagamento suspenso pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por estar morto, no entanto ele passa bem e apelou ao jornal EXTRA para que o caso viesse à tona. Há dois meses Antônio Carlos da Silva, de 62 anos de idade, morador de Campo Grande, na Zona Oeste, está sem receber o pagamento da aposentadoria. Segundo o aposentado, o INSS alega que ele morreu em março, mesmo o aposentado recebendo o pagamento por biometria no Banco do Brasil.

A biometria, inclusive, é uma das provas utilizadas pelo INSS para que o aposentado comprove que está vivo e não precise se deslocar para uma agência bancária ou posto previdenciário para realizar o recadastramento anual. A nova prova de vida foi anunciada pelo então presidente do INSS Jõao Carlos Oliveira, em fevereiro deste ano. Oliveira atualmente ocupa o cargo de ministro do Trabalho e Previdência.

— Fiquei sem dinheiro até para a passagem, fui andando e chegando lá não pude ser atendiro porque não havia agendado o atendimento. Voltei para casa e liguei para a central 135 e fiz a reclamação sobre a suspensão do pagamento. E desde então quando ligo para saber se será restabelecido o que ouço é que está em análise. E já se passaram dois meses... — lamenta Silva, que cuida de duas irmãs acometidas com graves moléstias e necessitam de medicações caras.

Um outro problema relatado pelo funcionário aposentado da Cedae é o erro no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) o que, segundo ele, dificulta o acesso ao aplicativo ou site Meu INSS.

— O nome da minha mãe é Maria José Lucas da Silva, mas no CNIS está Maira, o próprio INSS cometeu o erro de digitação, por causa disso não consigo acessar o Meu INSS — conta o aposentado que tem contado com a ajuda de pessoas amigas para comprar alimentação e remédios.

— Uma das minhas irmãs utiliza uma medicação a base de morfina para poder andar e eu acabei fiquei com sequelas da Covid e preciso de remédios para restabelecer minha saúde — explica.

— É uma desolação tremenda passar por isso. Os requerimentos no INSS demoram meses e até anos para serem liberados, mas na hora de cortar o benefício, até mesmo indevidamente, o INSS é rápido — reclama o aposentado.

E como proceder caso o benefícol seja suspenso pelo INSS? O vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário, Diego Cherulli, explica que basta entrar com pedido de reativação no aplicativo ou site Meu INSS no campo Meus requerimentos.

— Tenho casos de reativação (de benefício) que foram feitos por via administrativa que estão demorando de seis a sete meses, o ideal é entrar com um mandado de segurança na Justiça para que o pagamento seja restabelecido — diz Cherulli.

Ou, explica o advogado, o aposentado pode agendar atendimento no posto do INSS e ver com o serrvidor se há alguma forma de reativar o benefício em menos tempo.

É importante ressaltar que para solicitar a reativação de benefício cessado por via administrativa o segurado tem até 30 dias para apresentar sua contestação.

E que ele faz jus ao recebimento retroativo dos últimos cinco anos. O valor deve vir corrigido com juros e correção monetária.

Resposta do INSS

Procurado, o INSS informa que "o benefício do sr. Antônio Carlos da Silva foi suspenso por um procedimento de segurança motivado por informações do Sistema Informatizado de Controle de Óbitos".

"O INSS esclarece ainda que o benefício do sr. Antônio está sendo reativado e, em até 15 dias, os créditos atrasados estarão disponíveis na instituição bancária. O segurado deve acompanhar a liberação do pagamento pelos canais remotos do INSS", explicou em nota.

Essa não é a primeira vez que o INSS corta benefício de quem está vivo. Em março passado, O EXTRA mostrou o caso de uma idosa que foi às redes sociais dizer para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que estava viva e pedir o restabelecimento do benefício. Um ano após a apresentação dos documentos, o benefício, enfim, foi reativado.

Juracy Abreu de Salles, de 84 anos, moradora de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, contou que recebia o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas), que equivale a um salário mínimo, há 19 anos, até que em fevereiro do ano passado foi fazer o saque e o dinheiro não estava no banco.

Em contato com a central de atendimento telefônico 135 do INSS em março de 2021, a idosa foi informada que o pagamento havia sido suspenso por falta de recadastramento. O que ela contestou. A idosa esteve no Centro de Referência e Assistência Social (Cras) e atualizou o cadastro em março do ano passado e fez a prova de vida em janeiro daquele ano.

Juracy então foi orientada a apresentar documentos em um posto do INSS para que passassem por uma análise. A entrega foi feita em 25 de março do ano passado na Agência da Previdência Social (APS) Engenheiro Trindade, em Campo Grande. Mas somente am abril a idosa teve o benefício reativado.

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