Para Kassab, Lula pode acabar com orçamento secreto “gradualmente”

PSD de Kassab vai negociar apoio de Lula à reeleição de Pacheco na presidência do Senado (Foto: YASUYOSHI CHIBA/AFP/GettyImages)
PSD de Kassab vai negociar apoio de Lula à reeleição de Pacheco na presidência do Senado (Foto: YASUYOSHI CHIBA/AFP/GettyImages)

Presidente do PSD, Gilberto Kassab acredita que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode acabar com o orçamento secreto, mas deverá fazer isso de forma gradual.

“É possível acabar com o orçamento secreto, é possível promover um entendimento para que gradualmente se estabeleça condições para ter outra forma. Primeiro diminuindo o valor, definindo áreas específicas e, com o tempo, isso voltando para o Executivo”, disse Kassab, em entrevista ao portal Uol.

Para o presidente do PSD, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tem uma oportunidade para fazer essa mudança.

“Nosso Legislativo precisa se reencontrar. Nossos parlamentares têm que deixar de ser despachantes de prefeitos e governadores para debater o Brasil. O Arthur Lira tem uma oportunidade ímpar de liderar esse processo, que pode ser de transição.”

O orçamento secreto permite que parlamentares repassem verbas para os domicílios eleitorais de forma pouco transparente, o que pode levar a desvios de verbas. Em troca, liberação leva a um maior apoio do Congresso ao presidente.

O PSD de Kassab deverá se reunir com líderes do PT, como a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, para negociar apoio a Lula. Um dos pontos a ser tratado, segundo Kassab, é o apoio à reeleição de Rodrigo Pacheco à presidência do Senado.

“Com certeza o acordo passará por isso, seja para recondução do Pacheco, seja para o apoio mútuo junto a nossos principais líderes do poder Executivo”, disse ao Uol. Ele, no entanto, não pretende pedir cargos no governo do petista.

Sobre Jair Bolsonaro (PL), derrotado na eleição, Kassab projeta que o presidente sai como um “nome forte da direita”.

“Desde Paulo Maluf a direita não tinha uma cara. Hoje tem: Jair Bolsonaro. O futuro dependerá dele. Sem governo, vai responder com sua conduta se vai ter força, se vai ser ouvido. Sai fortalecido, com quase 50% dos votos, mas daqui para frente só vai ter suas manifestações. Se for infeliz nas manifestações, vai perdendo musculatura a cada momento.”