Para muitos mórmons dos EUA, Trump é pouco apresentável

Laurent BANGUET
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O histórico templo de Salt Lake Temple, no estado de Utah, sede da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias
O histórico templo de Salt Lake Temple, no estado de Utah, sede da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

Os mórmons dos Estados Unidos geralmente se inclinam pelos republicanos, mas alguns membros desta igreja conservadora, desanimados com o presidente Donald Trump, estão mudando de lado e apoiando o veterano democrata Joe Biden. 

O apoio a Trump entre os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que enfatiza os valores familiares e a moral, diminuiu especialmente entre as mulheres. 

Analistas afirmam que isso pode ter um impacto significativo nos estados-chave, em particular Arizona e Nevada, onde os mórmons representam 6% da população. 

"Há coisas de Biden que não concordo, mas acho que é mais importante não votar em Trump", disse Melarie Wheat, uma mãe de cinco filhos de 36 anos que vive no estado ocidental de Utah, onde os mórmos têm sua sede. 

Assim como Wheat, muitos outros mórmons estão fartos da retórica e do comportamento de Trump, que vão na contra mão dos ensinamentos da igreja sobre sexo, linguagem obscena, empatia e humildade. 

- Trump trouxe o "caos" -

Tal falta de entusiasmo entre os mórmons pode inclinar a balança a favor de Biden no Arizona, onde 400.000 pessoas se reconhecem nessa igreja e onde Trump venceu em 2016 por 91.000 votos. 

Entre aqueles que esperam esse resultado, está Dan Barker, um juiz aposentado de 67 anos e republicano a vida toda que, junto com sua companheira, fundou a associação Republicanos do Arizona por Biden. 

"Como cristão, membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, acredito que Trump deve tratar as pessoas com respeito", disse Barker à AFP ao explicar sua aversão ao atual presidente. 

Ele afirmou que apoia Biden porque o ex-vice-presidente de 77 anos reflete os valores mórmons muito mais do que Trump.

"Se os dois candidatos fossem iguais, eu votaria em Trump que se opõe ao aborto", disse. 

"Mas não são iguais. Um deles, em minha perspectiva, construirá e fortalecerá nossa democracia, enquanto o outro, se continuar por este caminho, terá um impacto extremamente negativo sobre nossa democracia", acrescentou. 

Andrea Dalton, moradora de Tucson, Arizona, de 38 anos, diz que vários mórmons como ela acreditaram inicialmente na promessa de Trump de abalar o sistema. 

No entanto, nos últimos quatro anos, "esse abalo se transformou no caos", destacou. 

"Acredito que Trump pressionou muitas pessoas que não se imaginavam votando pelos democratas. Eu vejo isso em minha própria família. Meu padrasto era um dos telespectadores fanáticos da Fox News ... mas não respeita Donald Trump. Acha que ele é um mentiroso".

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