Para não ser 'cancelado', Lula pode ter discursos ajustados e alterados

O ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva tem participado de diversos eventos públicos nas últimas semanas. Foto: ALMEIDA/AFP via Getty Images.
O ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva tem participado de diversos eventos públicos nas últimas semanas. Foto: ALMEIDA/AFP via Getty Images.
  • No mês passado, petista se envolveu em polêmicas sobre policiais e aborto

  • Apoiadores temem repercussão das falas de Lula nas redes sociais

  • Debate político, no entanto, é normal, ressaltam

Recentemente, falas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm tido repercussão negativa nas redes sociais. Políticos próximos ao petista temem que as frases podem ser usadas para afastar novos eleitores.

No último domingo (1), Lula precisou pedir desculpas por fala sobre policiais.

"Eu queria aproveitar esse ato de trabalhadores para começar fazendo uma coisa que neste país as pessoas não costumam dizer. Ontem eu fui na zona norte, na Brasilândia, fazer um ato com as mulheres para discutir o custo de vida. E, quando eu estava fazendo o discurso, eu queria dizer que o Bolsonaro só gosta de milícia, não gosta de gente, e eu falei que ele só gosta de polícia, não gosta de gente."

"E eu queria aproveitar e pedir desculpas aos policiais desse país, porque muitas vezes [a categoria] comete erros, mas muitas vezes salva muita gente do povo trabalhador, e nós temos que tratá-los como trabalhador desse país."

Apoiadores afirmaram ao portal UOL que se preocupam que falas empolgadas sejam mal interpretadas e eternizadas nas redes sociais, espaço que Lula não conhece tão bem. No caso dos policiais, apoiadores avaliam que o petista precisa atrair mais o público conservador, já que aqueles críticos à violência policial já estão na sua base eleitoral.

Segundo sua equipe de campanha, é normal haver debate político, porém lamenta a existência de "muita edição de falas descontextualizada, usadas para desviar atenção da grave situação do país", e que seguirá debatendo problemas, desemprego, fome e inflação alta, "independente de cortinas de fumaça".

No começo de abril, em debate realizado em São Paulo, o ex-presidente defendeu o direito de toda mulher ao aborto seguro, por ser "uma questão de saúde pública". Na semana seguinte, tentou amenizar a sua declaração e se posicionou pessoalmente contra o aborto e defendeu o tratamento para mulheres que realizarem o procedimento na rede pública de saúde.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos