Para o Carnaval de 2020, Rio deverá receber 20% a mais de turistas; cidade deve ter 400 blocos autorizados

Luiz Ernesto Magalhães, Maíra Rubim, Patrícia Espinoza e Raphaela Ribas
Bloco Bloconcé (AquaRio)

RIO — Passado o réveillon, a cidade volta a atenção para outra “menina dos olhos”: o carnaval de rua, que deve ajudar o Rio a bater mais um recorde de turistas. Projeções da Riotur indicam que, nas próximas semanas, a cidade receberá 1,9 milhão de visitantes, contra cerca de 1,6 milhão em 2019. Isso com direito a um período de Momo prolongado. A festa terá duração de 57 dias, indo até 1º de março, quando o Rio completa 455 anos. Apesar de a abertura oficial só estar marcada para o próximo domingo, em Copacabana, com o Bloco da Favorita, a folia começou neste domingo. Ao todo, 25 blocos fizeram a festa nas ruas do Centro.

Paralelamente à festa não oficial, a Riotur ainda não fechou o número, mas trabalha com projeções: cerca de 400 blocos autorizados pela prefeitura farão em torno de 500 desfiles. Eventuais mudanças de roteiros ainda estão em análise.

Houve alguns reforços na infraestrutura. Este ano, haverá sete postos médicos com UTIs em bairros com grande número de blocos (incluindo Centro, Zona Sul, Barra da Tijuca, Recreio e Madureira), um a mais que em 2019.

O total de pontos de banheiros químicos utilizados durante o carnaval deve ser um pouco superior aos 32.536 de 2019. Essa infraestrutura custa R$ 27 milhões por ano, bancada pela patrocinadora, que garantiu por três anos (2018-2020) exclusividade na comercialização de bebidas durante os desfiles.

O perfil de turistas muda em relação ao do réveillon, que também bateu recorde: 1,7 milhão. Geralmente, os visitantes da virada do ano vêm com famílias, têm melhor poder aquisitivo e permanecem por menos tempo. No carnaval há dois públicos, que movimentaram a economia da cidade em R$ 3,7 bilhões em 2019. Há um segmento de maior poder aquisitivo, que geralmente fica hospedado nos hotéis e tem como principal interesse os desfiles na Sapucaí. O outro é um público mais jovem, que opta por hospedagens mais baratas e permanece no Rio (e gastando) de sete a dez dias.

— A cidade inteira será ocupada com folia e alegria para a gente bater novos recordes — disse o presidente da Riotur, Marcelo Alves.

Para o secretário estadual de Turismo, Otavio Leite, o Rio tem que explorar ao máximo o carnaval como produto turístico e não pode ser desperdiçado. Cita o exemplo da cidade gaúcha de Gramado com o Natal.

— No Rio, o carnaval de rua se firma como um potencial turístico formidável. Veja o exemplo de Gramado, onde o Papai Noel trabalha 55 dias com o evento Natal Luz, entre novembro e janeiro. Por isso, defendemos que o Sambódromo tenha atividades o ano inteiro — disse Otavio Leite.