Para pressionar Dodge após perda de auxílio-moradia, procuradores deixam grupos de trabalho

Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge (Fátima Meira/Futura Press)

De forma a pressionar a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, 34 procuradores renunciaram às atividades que desempenhavam em grupos de trabalho, comitês e subcomitês no Ministério Público Federal (MPF) até a noite desta segunda-feira (11). Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a renúncia coletiva teve o apoio da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

Os procuradores buscam uma compensação pelo fim do auxílio-moradia que era pago até o Supremo Tribunal Federal (STF) acabar com o benefício no fim do ano passado. Os que renunciaram demandam receber 16% a mais nos salários para participar de grupos de trabalho ou comissões temáticas, já que atuam como voluntários. O adicional representa o mesmo valor que recebiam com o benefício, cerca de R$ 4.377.

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Eles atuavam em 73 funções e atuavam em unidades do MPF no Rio Grande do Sul, no Paraná, em Alagoas, em Pernambuco, no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Tocantins. O grupo alega que no Judiciário há pagamentos por acúmulo de função.

“É uma medida forte que, para nós, dói. Mas é uma forma de chamar a atenção da cúpula (do MPF) para a urgência da pauta”, disse o presidente da ANPR, José Robalinho Cavalcanti, em entrevista ao jornal.

Na sexta-feira, o site Buzzfeed News mostrou que um motim contra Dodge vinha sendo planejado via Telegram, com procuradores entregando cargos que ocupam em grupos de trabalho e em coordenações nos estados.

Em ofício endereçado aos colegas em pleno domingo, Dodge fez um chamamento ao diálogo. “Respeitosamente, entendo que o propósito de ‘defesa da integridade do Ministério Público Federal e de seus componentes’ dispensa a exposição gratuita da instituição à opinião pública, consequência natural de eventual entrega de funções por membros do Ministério Público, em razão da pauta de reivindicações apresentada.”

Dodge também avaliou que a reivindicação dos procuradores pode colocar em risco a imagem do MPF.