‘Para que matar? Já tínhamos entregado tudo para os criminosos’, afirma viúva de homem morto no Méier

Foi sepultado neste domingo, dia 29, ao som de instrumentos como cuíca e surdo, sambas da Portela e o hino do Vasco da Gama, o corpo do ritmista André Luiz Monteiro, de 54 anos, baleado com um tiro no pescoço durante um assalto na Rua Caetano de Almeida, no Méier, Zona Norte do Rio, na sexta-feira. Em certo momento do velório, no Cemitério de Irajá, a viúva Jaqueline Braga Rebello ficou profundamente consternada e pediu que parassem a reza, enquanto era consolada por amigos.

— Eu não quero que reze mais, eu quero que cante. Quero que os amigos dele cantem. Ele era de cantoria — disse Jaqueline, chorando: — Foi muita brutalidade, ele já tinha entregue o celular e eu também, não precisava disso. Mas atiraram como se estivessem desligando uma televisão. E ele não resistiu…

Após se recompor, mas ainda abalada e cheia de questionamentos, Jaqueline contou que André era apaixonado pela Portela, pelo Vasco da Gama e por gatos, e clamou por justiça:

— Espero que a polícia pegue os bandidos e que exista direitos humanos para o André, para toda a família, para os filhos e para mim. Que os bandidos sejam presos e que eles não matem mais ninguém. E que a gente possa sair no Rio de Janeiro, que a gente possa ir e vir. Só isso, mais nada. Já estava tudo nas mãos dos criminosos, o carro estava ali, a gente não impediu nada. Para que matar? A minha amiga estava na porta da casa dela. Não existe estar no lugar errado, na hora errada. A gente não pode estar mais na nossa porta? Quero que não tenha mais isso que está tendo a toda hora no Rio. Não podemos sair de casa. O André perdeu a vida. Não vai voltar. Quantos outros precisam morrer para alguém fazer alguma coisa?

Muito emocionados, amigos e familiares presentes ao sepultamento, realizado no Cemitério de Irajá, se disseram assustados com o crime.

— Sou a favor dos Direitos Humanos, luto, sou militante, mas o cidadão de bem tem direitos humanos? Porque ninguém dos direitos humanos apareceu até agora. Ele, enquanto cidadão de bem, que não tem ficha na polícia, tem direito de ir e vir? — questionou o amigo Daniel, que conheceu André na Portela.

Amigos descrevem André, que tocava cuíca e surdo na Portela, como um grande amante do carnaval:

— André Luiz era a alegria em pessoa. Eu nunca o vi sério. Na semana passada estávamos no Bar do Zeca, festejando o aniversário dele, depois de dois anos e pouco sem a gente se encontrar. Era um cara sempre com um astral lá em cima. A gente tocava junto na Portela. Ele tocava cuíca e agogô. Ele gostava de rock também, íamos a shows juntos. Ele e a Jaqueline, eu e minha esposa. E semana passada nós fizemos o que ele fez com essa amiga, o levamos em casa, no Cachambi, depois de sair do bar, paramos com o carro, ficamos batendo papo. Então, foi um perigo que a gente correu, poderia ter sido com a gente essa violência, mas foi com ele, que não reagiu ao assalto - afirma o amigo de agremiação Marcelo Pires.

Almeida e sua mulher, Jaqueline Braga Rebello, de 55 anos, deixavam uma amiga em casa por volta de 1h30 de sexta-feira, dia 27, quando foram abordados por homens armados. Toda a ação foi registrada por câmeras de segurança. Após a vítima parar o carro em que estava acompanhado da mulher para deixar uma amiga na Rua Caetano de Almeida, criminosos em outro veículo anunciaram o assalto, atiraram e fugiram sem o automóvel de Almeida, levando apenas os pertences de Jaqueline.

As investigações do caso estão em andamento na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

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