Para reverter abandono da Orla Conde, prefeitura lança licitação de R$ 2 milhões

·4 min de leitura

Placas de piso soltas, mobiliário urbano danificado e jardins tomados pelo mato. O fantasma do abandono que assombrou a Orla Conde nos últimos anos está com os dias contados. A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) lança nesta sexta-feira uma licitação para a recuperação do cartão postal. Estimadas em R$ 2 milhões, as intervenções vão abranger toda a extensão do Boulevard Olímpico.

A empresa licitada terá que recompor 1.500 m² do calçamento de granito, plantar 210 novas árvores e recuperar 3.000 m² de paisagismo. O projeto prevê ainda a substituição de 3.243 m² de vias de granito por pavimento de concreto intertravado, que é considerado um revestimento mais prático, econômico e sustentável. Para evitar a invasão de veículos na estrutura, serão instalados 300 novos pinos balizadores.

A empresa será definida em até 45 dias e terá quatro meses para concluir os trabalhos. A expectativa é que antes do fim do ano a Orla Conde já esteja com uma cara nova. O presidente da Cdurp, Gustavo Guerrante, explica que a recuperação só será possível porque este ano a Prefeitura voltou a fazer a manutenção da orla, com apoio da Secretaria Municipal de Conservação. Agora, a companhia dará início à ação definitiva de recuperação de danos que se acumularam ao longo dos últimos quatro anos.

— O Boulevard foi entregue para as Olimpíadas e se tornou um grande ponto de encontro. Infelizmente, a gestão anterior virou as costas para o Porto Maravilha. Talvez não fosse necessário fazer uma recuperação tão grande assim se os danos iniciais tivessem sido corrigidos e não se deixasse que eles se alastrassem. Mas agora nós vamos fazer essa recuperação — afirma Guerrante.

O escopo da recuperação foi definido após um levantamento dos principais problemas, encomendado pela Cdurp. Os danos mais recorrentes são causados pelo fluxo de veículos em local inadequado. Os granitos do calçamento não foram projetados para receber o peso de carros ou caminhões, e acabam quebrando. Para evitar esse tipo de situação, a Cdurp decidiu instalar barreiras em formato de pinos, que permitem a passagem de pedestres e ciclistas, mas bloqueiam os automóveis.

— Fizemos um diagnóstico completo, fotografamos e separamos por tipo de dano e extensão. Nos locais onde o piso está danificado, será feita a remoção do piso para ver a extensão do dano, nivelar e colocar a pedra por cima — explica o presidente da Cdurp.

Finalizado o trabalho a Cdurp fará novo contrato de manutenção do espaço. O contrato será gerenciado pelo corpo técnico da Cdurp, empresa da Prefeitura responsável pela revitalização do Porto.

Histórico de abandono

Inaugurada por fases, a Orla Conde foi finalizada em agosto de 2016 e foi palco do Live Site dos Jogos Olímpicos do Rio 2016. O espaço conta com mais de dez equipamentos culturais, entre o Museu Histórico Nacional e a roda-gigante Rio Star, ao longo dos 287 mil m² de área. Prédios históricos e equipamentos culturais antes ofuscados pela Perimetral ganharam destaque e ficaram novamente de frente para a Baía de Guanabara, como a Igreja da Candelária, a Casa França Brasil e o Centro Cultural dos Correios. A esplanada mudou o perfil desta área do Centro cortada por vias de grande movimentação de veículos.

Considerada um dos maiores legados olímpicos, a Orla Conde já sofria com o abandono menos de dois anos após a sua inauguração. Em uma reportagem publicada em abril de 2018, O GLOBO noticiou que os 3,5 quilômetros de extensão do cartão-postal estavam tomados por buracos, placas de piso soltas e quebradas, mobiliário urbano danificado.

Na região da Praça Quinze, havia crateras na pista de rolamento, junto à Baía de Guanabara, e bancos de madeira quebrados. Em muitos pontos, o acabamento do piso nas bordas da linha do VLT, ao longo da Avenida Rodrigues Alves, estava danificado.

Na área próxima aos museus, lotada de turistas, os pedestres precisavam ter cuidado com os bueiros de concreto, que haviam se quebrado e afundaram, próximo ao Museu do Amanhã.

No ano anterior, em 2017, a Região Portuária sofreu com o imbróglio entre o município e a concessionária Porto Novo — o contrato foi interrompido em 5 de julho. Por falta de verbas, a Porto Novo ficou responsável apenas pelos túneis Marcello Alencar e Rio 450, deixando para a prefeitura a manutenção do boulevard.

Em novembro daquele ano, houve a retomada do contrato após a prefeitura fazer um aporte de R$ 150 milhões no capital da Cdurp, garantindo a manutenção e as obras na área até junho de 2018.

Os problemas de conservação, no entanto, continuaram. Outra matéria, publicada em maio de 2019, mostrava que o Boulevard Olímpico continuava padecendo dos mesmos problemas flagrados pela reportagem do ano anterior.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos