Para se dedicar aos filhos, economista deixa multinacional e torna-se arteterapeuta

Uma economista que, após ter a primeira filha, aos 27 anos, resolve abrir mão de um emprego numa multinacional, começa a estudar psicologia, apaixona-se por arteterapia e abre um espaço dedicado a estimular o autoconhecimento de crianças, jovens e mulheres por meio de práticas como arte e meditação. Ela é Fabiana Geraldi, hoje com 53 anos, e o local que comanda é o Baalaka, que há oito meses mudou-se para uma cobertura na Praça do Ó, na Rua Coronel Eurico de Sousa Gomes Filho 99.

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— Percebi que não cabia trabalhar numa multinacional e ter filhos ao mesmo tempo; e eu tive três. Por outro lado, fui descobrindo o quanto era potente trabalhar com crianças em geral. A arteterapia veio logo no início da minha formação de psicologia e, desde então, tinha o sonho de ter um espaço em que as pessoas pudessem ir para criar e experimentar sem ser uma aula de arte, sem haver uma preocupação com a estética e o produto final — explica Fabiana. — Baalaka significa criança em sânscrito. Escolhi esse nome porque acho que criança fala de criatividade, liberdade, amor, lúdico, imaginação, tudo que é nutrição para a arte.

A história começou há 15 anos. Hoje com uma equipe de dez profissionais, todas mulheres, o Baalaka oferece atividades como ioga, dança, meditação transcendental, astrologia combinada com psicologia, exercícios que abrangem expressão corporal, narração de histórias de tradição oral e música indiana, além de contar com cursos de formação em arteterapia.

— São ferramentas que trazemos para que a pessoa possa ir experimentando esse universo criativo. A dissolução do estresse e o relaxamento profundo proporcionados pela meditação transcendental, por exemplo, potencializam o córtex frontal, parte do cérebro ligada à criatividade e assertividade — esclarece a psicóloga. — Temos ambientes bem amplos, incluindo uma sala com tudo o que é necessário para meditação e um ateliê de arte.

Há um ano, Fabiana fundou o Baalaka Social, dentro do Clube dos Médicos, no Itanhangá, com atividades semanais gratuitas para crianças e mulheres da Tijuquinha e outras comunidades dos arredores, como os morros do Pica Pau e do Banco:

— A arte é um instrumento para o fortalecimento da identidade deles. Fazemos um trabalho muito bonito de inserção cultural, levando-os a centros culturais e museus, com o objetivo de despertar um senso de pertencimento à cidade, porque a maioria não sai da comunidade.