Para se defender de foto com Doria, Moro cita imagens de Lula com Geddel e Aécio

Divulgação/Assessoria João Doria

Acusado de ser parcial para julgar processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após ser fotografado com o ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB), o juiz Sergio Moro usou fotos de Lula com o tucano Aécio Neves e o emedebista Geddel Vieira Lima para se defender.

Em despacho, o juiz da Lava Jato afirmou que uma fotografia em evento social “nada significa além de que as pessoas ali presentes tiraram uma fotografia”. Um dia após o registro, feito em um evento em Nova York após um jantar em que foi homenageado, o magistrado já havia classificou a polêmica como uma “bobagem”.

Moro disse não ter agido para promover o tucano eleitoralmente e destacou não ter citado o nome do ex-prefeito no discurso ou na palestra para evitar confusões.

Doria, no entanto, publicou duas imagens suas com Moro em suas redes sociais.

“Noite especial aqui em NY ao lado de duas pessoas que admiro: ex-prefeito de NY, Mike Bloomberg e o Juiz Sergio Moro, homenageados no “Person of the Year Awards” (Personalidade do Ano), prêmio que também tive a honra de receber no ano passado”, disse.

Para negar que seja imparcial para julgar Lula, Moro lembrou que o líder petista já apareceu em fotos com o senador Aécio Neves e com o ex-ministro Geddel Vieira Lima, que também está preso. De acordo com o juiz, as fotos não significam que Lula e Aécio tenham se tornado aliados políticos ou que ele e Geddel foram cúmplices na atividade criminal que levou o ex-ministro à prisão.

“Ora, uma fotografia em evento social ou público nada significa além de que as pessoas ali presentes tiraram uma fotografia”, disse o juiz.

O magistrado também foi homenageado pela Lide, grupo de líderes empresariais criado pelo ex-prefeito de São Paulo. Doria deixou do comando da empresa antes de assumir a Prefeitura. Para justificar o evento com o grupo ligado ao ex-prefeito, Moro lembrou que dois membros da diretoria da Lide foram ministros do governo Lula.

“Seria de fato melhor para qualquer juiz evitar fotos com quaisquer agentes políticos, independentemente de seu mérito, a fim de evitar interpretações equivocadas ou incidentes processuais infundados, mas, em eventos públicos ou sociais, fotografias podem ser tiradas”, escreveu Moro, que chamou a dúvida da defesa de Lula sobre sua suspeição de “fantasmas da mente”.