Para segurar Miguel, Fluminense precisou atender a exigência de seu pai

Rafael Oliveira
Miguel é celebrado por Gilberto após fazer a jogada do gol do lateral

Em junho, Miguel se tornou o mais jovem a jogar pelo Fluminense na era profissional. Tinha 16 anos, 2 meses e 10 dias. Ao longo de 2019, somou 54 minutos jogados. Ainda que pouco, foi o suficiente para ele virar xodó da torcida. Na última quinta, na vitória sobre a Portuguesa, teve sua primeira atuação de destaque. Mas este bom começo esteve ameaçado.

Quando estreou, o meia sequer tinha contrato profissional, hoje já assinado. A negociação foi demorada. Para convencer seu pai, o advogado José Roberto Lopes, a aceitar o novo compromisso, o clube precisou atender a uma exigência: a de que seu filho subisse para o elenco profissional imediatamente.

Conforme prevê a legislação da Fifa para menores de 18 anos, o contrato assinado tem duração de três anos. Vai até junho de 2022 e tem multa rescisória de 35 milhões de euros (cerca de R$ 161 milhões).

Destaque em todas as categorias pelas quais passou, Miguel jogou pouco pelo sub-17 e pulou o sub-20. Um risco no processo de transição que, pelo seu talento, a diretoria decidiu correr. A atuação no último jogo agradou ao técnico Odair Hellmann. Mas ele deixou claro que trabalhará o meia com paciência.

— Tem 16 anos, é talentoso, ainda está no processo de transformação física. A cadeia de maturação dele ainda não está fechada. É um menino frágil nesse aspecto físico. Mas que bom que está conseguindo passar por esse processo já amadurecendo. O que tenho conversado com ele é que faça o processo de forma gradativa, com calma. No que puder, vou ajudar. É mais um talento da escola de Xerém. Mas vamos com calma — analisou o técnico.