Para a seleção brasileira, oitavas de final da Copa é ‘quarto jogo’ da 1ª fase. Entenda

Pela décima vez em dez edições de Copa desde que a fase foi implementada pela Fifa, o Brasil chega às oitavas de final. Desde 1986 o primeiro passo do mata-mata, as oitavas não costumam ser um grande problema para a seleção brasileira. Há uma eliminação traumática na história, é verdade, mas foram outras oito passagens para as quartas de final, seja em jogos dramáticos ou tranquilos.

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Os dados históricos levantados pelo GLOBO mostram que, desde o 4 a 0 com golaço de Josimar na Copa do Mundo de 1986, o desempenho da seleção se assemelha muito com o da fase de grupos, em que o Brasil também conseguiu a classificação, sempre em primeiro lugar, desde o último Mundial do México. O aproveitamento é superior a 80% e a seleção, em média, costuma até marcar mais e sofrer menos gols nas oitavas de final do que na fase de grupos.

Os adversários, usualmente, são mais frágeis, retrato da competência e tradição em sempre passar em primeiro nos grupos. A única grande seleção que o Brasil enfrentou foi, justamente, na única derrota, para a Argentina em 1990, com gol de Caniggia e grande atuação de Maradona. De resto, costuma enfrentar seleções do segundo ou terceiro escalão do futebol mundial, como hoje, contra a Coreia do Sul.

O Chile foi o adversário mais comum: foram duas vitórias tranquilas em 1998 e 2010 e um drama vivido no Mineirão, quando a vaga para as quartas veio apenas após a disputa de pênaltis, com a clássica cena de Thiago Silva aos prantos após a classificação, sentado em cima de uma bola.

Ronaldo artilheiro

Tanto em 2010 como em 2014, o Chile era um adversário inferior, mas que veio cheio de moral após uma boa primeira fase. O mesmo aconteceu na última Copa, quando o Brasil enfrentou um México que tinha vencido a Alemanha na estreia na Rússia. Pela oitava vez seguida os mexicanos foram eliminados nas oitavas, na oitava classificação consecutiva do Brasil, gols de Neymar, que volta ao time hoje, e Roberto Firmino, que acabou ficando fora da convocação de Tite.

Além de Neymar, outro membro da delegação brasileira no Catar tem boas lembranças das oitavas em Copas. César Sampaio, auxiliar técnico, que era volante da seleção em 1998, marcou raros dois gols na goleada sobre o Chile. Na artilharia histórica desta fase, só perde para o seu ex-companheiro que anotou os outros dois gols na vitória por 4 a 1 no Chile de Salas e Zamorano. Ronaldo, o “Fenômeno”, fez quatro no total em oitavas. Os dois já citados em 1998, um contra a Bélgica no polêmico e difícil jogo na campanha do penta e o que abriu a vitória contra Gana, em 2006. Foi o último dos seus 15 na história em Copas do Mundo.

Do banco, Ronaldo assistiu àquela que é, talvez, a mais icônica das vitórias brasileiras nesta fase. No dia 4 de julho de 1994, na comemoração da Independência americana, o Brasil bateu os Estados Unidos na Califórnia. A expectativa por um jogo fácil não se traduziu em campo, e a seleção de Parreira —que teve Leonardo expulso — venceu pelo placar mínimo, com um gol salvador de Bebeto em grande jogada de Romário. O “eu te amo” do camisa 7 para o baixinho entrou para a história e foi repetido ontem, quando Giroud marcou após grande jogada de Mbappé no 3 a 1 da França sobre a Polônia.

Quartas complicadas

Os dados mostram que esta é, teoricamente, a última fase que o Brasil conta com alguma facilidade. O aproveitamento e a média de gols marcados e sofridos caem bastante nas quartas de final. Se desde 1986 o Brasil tem uma eliminação em nove oitavas, nas quartas foram quatro voltas para casa em oito oportunidades — incluindo a derrota para a Bélgica em 2018, já sob o comando de Tite.

Esta segunda-feira, aliás, deve ser a última vez que a seleção disputa uma oitava de final como jogo seguinte à fase de grupos. A partir de 2026 a Copa terá 48 seleções, 16 a mais que a fórmula que se repete desde 1998. Introduzida pela Fifa em 1986 para evitar duas fases de grupos e dar mais emoção ao Mundial, as oitavas devem passar a ser a segunda fase do mata-mata.

Neste domingo a Fifa disse que não há decisão tomada para a fórmula da Copa de 2026, podendo haver, na primeira fase, 16 grupos de três seleções, 12 grupos de quatro ou dois grupões com 24 seleções cada. Em qualquer caso, no entanto, é provável que passe a existir a 32 avos de final. E uma nova história a ser construída.