Para setor industrial brasileiro, saída de Azevêdo da OMC é notícia ruim para o comércio mundial

Eliane Oliveira
CNI projeta que o PIB industrial vai cair 3,9% em 2020

BRASÍLIA - Anunciada nesta quinta-feira, a renúncia do diplomata brasileiro Roberto Azevêdo ao cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) terá um efeito negativo na economia mundial, justamente em um momento em que o comércio exterior precisa ser fortalecido. A avaliação é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que considera equivocada a saída de Azevêdo em meio a um cenário de crise dentro da própria OMC.

Segundo o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi, a saída antecipada do brasileiro é um resultado negativo do aumento do protecionismo no mundo e do unilateralismo. Para ele, Azevêdo apresentou resultados concretos desde que assumiu a direção da OMC e é a pessoa certa para definir os rumos do comércio mundial neste momento de crise.

- Para o Brasil, o distanciamento do mundo das regras internacionais de comércio e a imposição de barreiras são uma notícia ruim, ainda mais no momento em que o comércio exterior será um dos poucos instrumentos para o país sair da crise econômica - disse Abijaodi.

Ele destacou como resultados positivos da gestão do diplomata a celebração do Acordo de Facilitação de Comércio da OMC, em 2013, e um acordo para que países desenvolvidos eliminassem os subsídios à exportação de produtos agrícolas, em 2015. Mas lembrou que o organismo tem desafios, como o de solucionar o impasse no Órgão de Apelação - terceira e última instância de disputas comerciais.