Para Trump, um final de semana de pesadelo

Lucie AUBOURG
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Donald Trump volta à Casa Branca após anúncio de sua derrota, em 7 de novembro de 2020 em Washington
Donald Trump volta à Casa Branca após anúncio de sua derrota, em 7 de novembro de 2020 em Washington

Para Donald Trump, este foi um fim de semana de pesadelo, marcado pela vitória de Joe Biden e pela alegria manifestada por milhares de apoiadores democratas nos arredores da Casa Branca.

Sério, cabisbaixo, com os ombros ligeiramente caídos, o magnata republicano pareceu desesperadamente sozinho neste sábado em seu campo de golfe perto de Washington. 

Às 8h20 de sábado, quatro dias depois de uma eleição com resultados demorados, mas já se inclinando a favor de Biden, o presidente lançou uma longa sequência de tuítes fulminantes contra o atraso na contagem dos votos e relatando suposta fraude. 

Suas mensagens foram imediatamente sinalizadas como "enganosas" pelo Twitter. 

"EU VENCI ESTA ELEIÇÃO, POR MUITO!", foi sua última postagem antes do anúncio da vitória de seu rival democrata.

 Às 10h, a comitiva presidencial deixou a Casa Branca sob um céu claro, a primeira saída de Trump desde a noite da eleição na terça-feira. 

Vestindo calça preta, jaqueta cinza e boné branco com a frase "Make America Great Again", o presidente chegou a seu clube de golfe em Sterling, Virginia. 

A decisão foi surpreendente, num momento em que o país e o mundo aguardavam os resultados. Do acostamento, alguém lhe mostrou um cartaz que mais parecia um mau agouro: "Boa viagem".

- Dentes cerrados -

Fã de golfe, o presidente republicano estava no gramado quando a mídia dos EUA projetou no sábado que ele não poderia mais alcançar Biden. 

Depois de terminar seu jogo, ela posou para uma foto com um casal de noivos. Mas nenhuma imagem circulou do momento em que a derrota foi anunciada. 

Em um comunicado emitido por sua equipe de campanha, visivelmente preparada com antecedência, ele acusou seu rival democrata de "correr para se apresentar falsamente" como o vencedor. 

Depois de passar mais de quatro horas do outro lado do rio Potomac, a caravana presidencial partiu novamente com um desafio desagradável: passar por entre a multidão que chegava à Casa Branca para comemorar a vitória de Biden.

A residência presidencial fica no coração da capital, um reduto democrata. 

"Arrume suas coisas e vá embora", proclamava um cartaz, enquanto os motoristas buzinavam. 

Visto em uma entrada lateral de sua residência, com os dentes cerrados, Donald Trump cumprimentou os jornalistas e se despediu por volta das 16h00. 

Nos canais de televisão, que o presidente gosta de assistir, as cenas de júbilo se multiplicavam nas grandes cidades do país. E a poucas dezenas de metros de Trump, no "Black Lives Matter Plaza", batizada nesta primavera para denunciar a violência policial contra os afro-americanos, a festa estava a todo vapor. 

À noite, ele publicou dois tuítes raivosos: "71 milhões de votos legais, o maior número já registrado para um presidente em exercício!", disse em um deles. Mas suas mensagens não encontraram mais o mesmo eco de sempre.

- Sinais hostis -

Na manhã de domingo, ele ainda não havia ligado para seu rival para saudá-lo pela vitória, como de costume. 

Em vez disso, decidiu repetir o mesmo cenário do dia anterior: uma série de tuítes para denunciar a fraude, antes de uma nova partida de golfe, novamente na Virgínia.

E, ao longo do caminho, novos cartazes hostis a um presidente que dedicou a etapa final de sua campanha a percorrer o país de avião, com diversos eventos públicos por dia na frente de milhares de seguidores. 

Pouco vazou até agora sobre suas intenções para o longo período de transição à frente, até a posse de Joe Biden em 20 de janeiro. 

Visivelmente isolado, apenas um pequeno círculo de assessores apoiou sua iniciativa de multiplicar os processos judiciais para tentar reverter o pleito, caminho que promete ser totalmente infrutífero. 

Entre os poucos que o apoiam cegamente, destacou-se o senador Lindsey Graham, que no domingo o chamou à resistência: "Senhor presidente, não ceda, lute muito", pediu.

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