‘Para zerar a fila, seriam necessários R$ 2,5 bilhões’, diz secretário municipal de Saúde do Rio

Felipe Grinberg
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RIO — O médico Daniel Soranz, secretário municipal de Saúde, fala sobre o desafio de lidar com um passivo de 450 mil pessoas na fila por exames ou cirurgias, que foram deixadas de lado diante da emergência da Covid-19. Para zerar isso, seria preciso ter hoje R$ 2,5 bilhões, que não estão disponíveis. Outro problema é o aparelhamento da pasta: “cargos estratégicos estavam rifados por negociações políticas do pior tipo possível”, diz.

Qual foi o grande erro do Rio no enfrentamento à Covid-19?

Na minha avaliação, foi não ter investido na atenção básica, como fizemos na zika, na dengue e na H1N1. Uma semana antes de a pandemia começar, cortaram 200 equipes da saúde da família.

A última gestão sempre ressaltou que atendia pacientes de fora da cidade. É esse o problema do Rio?

Isso existe em todas as capitais do mundo. Você tem vantagens e desvantagens de ser uma capital. É um erro ficar reclamando de outros municípios. Nenhum outro município estava tão desorganizado como o Rio na gestão passada. A cobertura de saúde da família caiu de 70% para 34%. Foi difícil (para a segunda gestão de Eduardo Paes) chegar a esses 70%, mas é uma dívida histórica, é uma obrigação. A média nacional é de 74%. Você reduzir a cobertura básica é matar pessoas. No primeiro dia deste ano, 42% das equipes de saúde estavam sem médico.

Quando isso pode ser equacionado?

A meta é chegar a 70% de cobertura até o fim da gestão.