Parada LGBT+ lota Paulista com críticas a Bolsonaro e medo da Covid

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A avenida Paulista foi tomada neste domingo (19) por pessoas com bandeiras de arco-íris. Depois de dois anos de interrupção devido à pandemia, a Parada do Orgulho LGBT+ voltou a lotar a principal via de São Paulo —e trouxe com ela um tom político.

Com milhares de participantes, a expectativa é que este seja um dos maiores eventos realizados na cidade desde o início da crise sanitária, em março de 2020. A Covid causou o cancelamento das duas últimas edições presenciais da Parada.

A organização afirmou que a expectativa é que até 3 milhões de pessoas participem do evento. Segundo o Datafolha, a lotação máxima do trecho Consolação-Paulista é de 1,5 milhão de pessoas —num cálculo intencionalmente superestimado, considerando sete pessoas por metro quadrado.

O cabeleireiro Jonas Chagas 24, disse que já participou de três Paradas e que está "morrendo de vontade de beijar, mas o povo está evitando". Embora a maior parte do público não use máscaras, o clima de sensualidade de edições anteriores está mais contido este ano.

O tema escolhido para este retorno às ruas foi "Vote com Orgulho", uma referência às eleições de outubro. A organização disse que o objetivo era realizar um evento de caráter suprapartidário, mas a maior parte das manifestações traziam críticas ao atual governo.

Desde a concentração, ainda pela manhã, muitos manifestantes carregavam cartazes ou bandeiras contra Jair Bolsonaro (PL). Vendedores também ofereciam material contra o presidente ou que faziam alusão a dois símbolos da oposição: a vereadora carioca Marielle Franco, morta em 2018, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Coros de "fora, Bolsonaro" foram repetidos por diversas vezes pelo público, principalmente durante os discursos. Diversos políticos também compareceram na Paulista para prestigiar o evento, como o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) e Guilherme Boulos (PSOL), pré-candidato a uma vaga na Câmara dos Deputados.

"Espero que seja o último ano da Parada com um genocida do poder, que a gente vai arrancar do Palácio do Planalto", disse Boulos em cima de um dos trios do evento.

A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy também compareceu e fez coro às críticas ao governo, mas sem mencionar diretamente Bolsonaro.

"Não é um momento qualquer da nossa história. Nós estamos num retrocesso civilizatório. Tudo o que faz com que tenhamos respeito uns com os outros é o que estamos perdendo nesses anos", disse ela.

O atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), até o momento não compareceu e nem confirmou presença —tradicionalmente, o chefe do Executivo da cidade costuma ir à Parada. O único a não comparecer ao menos uma vez nas últimas duas décadas foi João Doria (PSDB), que em 2017 foi representado pelo então vice, Bruno Covas (PSDB).

Além do tom de protesto, a edição da Parada foi marcada pela exibição das marcas patrocinadoras. Nos anos iniciais da Parada LGBT, os trios eram organizados por entidades representativas e pelas casas noturnas que lideravam o cenário gay e underground da noite paulistana.

Agora os artistas se apresentam associados aos carros de empresas como Burger King (caso de Ludmilla) e da Amstel (com Luísa Sonza). Cláudia Regina Garcia, presidente da Parada LGBT, diz que as empresas têm políticas inclusivas.

A entrada de Luísa Sonza em frente ao Conjunto Nacional na esquina com a Augusta, provocou grande alvoroço e empurra-empurra. Ela abriu a apresentação por volta das 16h com o hit "Devagarinho", que animou o público.

A cantora Pabllo Vittar estava no último carro da fila, vestida de amarelo com arranjos no cabelo que faziam referência ao k-pop, gênero que a artista fundiu ao funk brasileiro. O som no carro dela, porém, estava bastante abafado e era difícil entender o que cantava.

O ator e ex-BBB Tiago Abravanel também foi uma atração celebrada, cantando junto com Gretchen e o bloco Agrada Gregos.

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