Parada do Orgulho LGBT+ retoma atividades na Avenida Paulista após duas edições digitais

No próximo domingo, por volta das 12h, quando o primeiro carro alegórico da Parada do Orgulho LGBT+ começar seu trajeto pela Avenida Paulista, um jejum de 2 anos sem uma das mais importantes passeatas dedicadas à diversidade sexual e de gênero do mundo será quebrado.

Por imposição da Covid-19, as duas últimas edições foram virtuais, com shows e rodas de conversa. Agora, com o avanço da vacinação e suspensão de praticamente todos protocolos sanitários no estado de São Paulo, a passeata recebeu sinal verde para voltar ao seu habitat natural: a mais importante via da capital paulista.

Os organizadores esperam que a atividade reúna, ao menos, 3,5 milhões de pessoas: marco já atingido em edições anteriores. Para se ter uma ideia da potência da “Parada” de São Paulo, o cortejo já chegou a figurar no "Guiness Book" como a maior de seu gênero em todo mundo.

Para seguir com público na casa do milhão, o festejo deste ano investiu em artistas de peso para apresentar-se no evento. Estão cotadas as cantoras Luísa Sonza, Ludmilla e Pabllo Vittar. Todas farão apresentações para a multidão em trios que cruzam a paulista em direção à Rua da Consolação, com encerramento nos arredores da Praça Roosevelt.

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Boa parte dos artistas sobem ao palco por meio de patrocínio de empresas privadas. Em edições anteriores, sobretudo até 2015, a atividade foi realizada com menor capacidade financeira justamente porque galgar financiamento com empresas brasileiras para causa LGBTQIA+ era tarefa árdua. Essa dificuldade, vale dizer, tornou-se menos intensa recentemente.

Neste ano, por exemplo, estima-se que o gasto com a Parada será 80% maior do que em 2019, diz o vice-presidente da organização que comanda o evento, Renato Viterbo. Com chegada de novos patrocinadores nos últimos anos, porém, mesmo com o aumento será possível fechar o evento no azul.

Transmissão ao vivo

Com mais gente querendo apoiar a atividade, foi possível apostar em inovação. Neste ano, por exemplo, a Parada terá, pela primeira, vez transmissão ao vivo pelo YouTube. O que facilita a inclusão de novos públicos, diz Viterbos.

— Em anos anteriores, a ONG tinha poucas empresas apoiando, pois havia um medo de dar suporte à pauta LGBT. Mas começamos a perceber nas últimas edições uma maior abertura nessa direção (do patrocínio) — explica Diego Oliveira, um dos diretores da mesma ONG responsável por realizar o cortejo.

— É importante dizer que costumamos entrevistar as empresas que vão nos apoiar para saber se há, de fato, uma política de diversidade que dura todo o ano. Pois se as marcas só aparecem na Parada sem ter diversidade entre seus funcionários, as pessoas nas redes sociais buscam relatos e descobrem que aquele apoio não é verdadeiro em dois tempos.

‘Vote com orgulho’

Embora seja um evento realizado anualmente desde 1997, a Parada do Orgulho LGBT+ carrega consigo certo frescor em relação às conquistas recentes na ala da diversidade. Por exemplo, somente em 2020 homens gays puderam passar a doar sangue no Brasil, a LGBTfobia só foi criminalizada em 2018 e o casamento de pessoas do mesmo sexo só foi assegurado em 2013 pelo Conselho Nacional de Justiça. Tudo isso será celebrado, mas os organizadores querem falar de mais temas que necessitam de atenção.

Nessa ala da conquista de novos direitos, a discussão em voga na Avenida Paulista será o tema “Vote com orgulho, por uma política que representa” mirando nas eleições a serem realizadas no próximo mês de outubro.

— A importância da Parada em ano de eleição é a possibilidade de fincarmos uma bandeira mostrando que somos diversidade, resistência, manifestação e celebração. ‘Juntes’, vamos derrotar o machismo, a LGBTfobia e políticas negacionistas do atual governo federal — diz TchaKa, drag queen vivida pelo ator Valder Bastos, responsável por apresentar a Parada a partir do primeiro carro alegórico.

— Queremos reverberar a mensagem do orgulho. Lembrar que tentaram no colocar abaixo, fora da roda. A ideia é mostrar que somos, sim, importantes, significativos e fazemos parte (da sociedade).

Demanda reprimida

Os dois anos longe da Avenida Paulista deram potência extra à Parada deste ano. A demanda reprimida dos participantes, em decorrência da Covid-19, já é sentida por quem organiza excursões e eventos para este domingo.

Altamiro Silva Filho, de 47 anos, por exemplo comanda anualmente uma excursão que saí de Niterói em direção às festividades do mês do Orgulho LGBT+, em São Paulo . Nesta edição, porém, foi preciso alugar um ônibus de dois andares, tamanho o interesse dos amigos, conhecidos e outros viajantes que querem estar na Avenida Paulista.

— Famílias hetero, crianças, casais gays, todos se interessam e curtem a Parada. Fazem a festa quando chegam lá — alegra-se ele que já tem 58 pessoas garantidas na viagem, cujo trajeto começa na noite de sábado e só será encerrado na segunda-feira pela manhã.

Também estão concorridas as últimas das 450 vagas para o chamado “Camarote Pride House”, realizado no alto do Conjunto Nacional, icônica construção do final da década de 1950 na Avenida Paulista. Os tickets finais custam R$ 780 com direito a open bar e comida liberada, além de atrações próprias e vista privilegiada do cortejo. Sofremos muitas repressões e, por conta de uma pandemia, tivemos que nos privar da possibilidade de sair e encontrar as pessoas. Nesse sentido, essa edição da Parada nos dá uma sensação de liberdade, nos proporciona o reencontro — afirma André Almada, empresário da noite paulistana e ex-proprietário do grupo The Week, cujo maior símbolo foi a balada homônima que figurou como templo da noite LGBTQIA+ em São Paulo.

Orgulho trans

Nesta sexta-feira, outro evento relacionado ao mês da visibilidade LGBTQIA+ ganhará a região do Largo do Arouche, no centro da capital paulista. Trata-se da Marcha do Orgulho Trans. As atividades começam por volta das 11h30 e se estendem até as 21h. De acordo com os organizadores, são esperadas 15 mil pessoas. O tema central da atividade é a "humanidade e o futuro do trabalho".

Entre as atrações mais aguardadas está a presença da atriz americana Angelica Ross, do seriado "Pose" e das cantoras Danny Bond e Majur.

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