Paradas LGBTQIA+ se espalham pela Grande SP e enfrentam resistência

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 19.06.2022 - Movimentação de pessoas durante a 26ª edição da parada LGBTQIA+ na avenida Paulista, em São Paulo. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 19.06.2022 - Movimentação de pessoas durante a 26ª edição da parada LGBTQIA+ na avenida Paulista, em São Paulo. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SUZANO, SP - OSASCO, SP - GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) - A última vez que Osasco, na Grande São Paulo, teve uma Parada LGBTQIA+, a técnica em marketing Eloísa Souza, 22, era um criança e o evento ainda era chamado de "Parada Gay". O ano era 2011 e a cidade chegava à quarta edição consecutiva da manifestação. De lá para cá, o município mudou e não realizou mais eventos do tipo até este domingo (31).

"É esperançoso ver Osasco sendo a cidade de todas as famílias", afirma Eloísa, citando o tema da Parada: "Osasco de Todas as Famílias". "Quando teve a última, não tive envolvimento, não fazia nem ideia de que um dia faria parte de um movimento de militância", conta.

O evento na região central do município não tem apoio da prefeitura e foi organizado, entre outros, pela Mandata Ativoz do PSOL, da Câmara Municipal. A realização na cidade da região metropolitana mostra uma tendência que vem se repetindo em vários pontos da Grande São Paulo.

Na capital, a Parada do Orgulho LGBTQIA+ ocorreu em junho após dois anos de edições remotas na pandemia de Covid-19. Ao menos oito cidades vizinhas também organizaram atos, por meio de ações de grupos e coletivos independentes que tentam aproximar esses municípios de pautas do movimento, como o respeito e o combate à intolerância.

O estudante Vitor Santos Correia, 20, diz ser simbólica a realização da Parada em Osasco neste momento. Ele lembra que o presidente Jair Bolsonaro (PL), crítico às pautas da população LGBTQIA+, recebeu título de cidadão osasquense pela Câmara Municipal recentemente.

"Por conta desse cenário político, se mostra indispensável ocuparmos as ruas, construirmos esse movimento e levar adiante nossas vozes e nossos corpos, que são políticos e que têm o poder de transformar a realidade concreta", afirma.

A realização de Paradas tem sofrido resistência em alguns municípios administrados por políticos conservadores.

Suzano teve a primeira Parada LGBTQIA+ da história no dia 24. Dois dias antes do evento, a prefeitura da cidade entrou com um pedido de liminar para impedir que a Parada fosse feita da forma pretendida, circulando por vias da região central. Queria que o evento se restringisse a praças da cidade.

A gestão Rodrigo Ashiuchi, também do PL, alegava que a entrada em um hospital da região poderia ser prejudicada. Os organizadores, por sua vez, afirmam que desde fevereiro buscavam com a prefeitura uma forma de realizar o ato. No fim, a Justiça não aceitou o pedido da prefeitura, e o evento foi realizado, recebendo pessoas de várias regiões, inclusive de fora de Suzano.

"Muito estranho a administração impor tantos limites. Jesus acolheu a todos, independente do gênero, orientação, classe ou cor", afirma Amanda Soares, 41, moradora de Itaquera, na zona leste de São Paulo. Ela faz parte da Igreja Pentecostal Resgate em Cristo e foi à Parada de Suzano para apoiar a causa.

Em Guarulhos, já houve tentativa em 2015 na Câmara Municipal de proibir a Parada. O projeto, contudo, não foi a frente, e a cidade teve 14 Paradas até 2019, antes da pandemia. A 15ª edição está marcada para 25 de setembro, em local a ser definido.

A ação nas cidades aproxima a causa da população. "Quando rolava Parada do Orgulho fora da minha cidade, eu tinha que escolher, entre comer e usar o dinheiro para passagem. Essa é a realidade'', relata a fotógrafa Daiana Oliveira, 22, moradora do Jardim Marilena, que já compareceu a três paradas guarulhenses. "Ser LGBTI+ em Guarulhos é bem complexo, além da violência e descaso, há poucos lugares para nós", ressalta.

Também houve uma parada no ABC Paulista, em Diadema, no começo de julho. Em Santo André, a prefeitura afirma que recebeu pedido para a realização de um ato, mas sem detalhes sobre a organização.

Em Itaquaquecetuba, são 16 anos de eventos e os grupos prometem um "retorno exuberante e político" a partir de 21 de agosto. "A parada de Itaquá vem movimentando há vários anos um trabalho social de igualdade, onde o próprio município não dá essa assistência para essa população LGBTQIA+", afirma a educadora Nathalia Santana, 41, educadora social e presidente da ONG Para Tod@s.

Os movimentos realizados nas cidades também têm inspirado a população de outros municípios que ainda não tem tradição nesse tipo de ato. Em Poá, houve uma Parada apenas em 2017. Grupos pretendem se reunir na Câmara Municipal para a realização de uma segunda edição em novembro.

"É muito importante que todos os municípios tenham essas manifestações culturais, seja ela de qual segmento for: do movimento negro, do movimento LGBTQIA+, do movimento de católicos, evangélicos, todos temos o direito a manifestação", defende o professor Júnior Reis, 33.

"Poá ainda é uma cidade muito conservadora, nós temos um Legislativo, um Executivo conservador. Então a gente vai buscar essa parceria com eles pra gente tentar unir forças."

PRÓXIMAS PARADAS NA GRANDE SP

Itaquaquecetuba: 28.ago, às 10h, na praça Padre João Álvares Guarulhos: 25.set. Local a definir

Mogi das Cruzes: 11.set. Concentração a partir das 12h na avenida Cândido X. de Almeida e Souza e caminhada até a avenida Cívica

Poá e Santo André: A ser definido

Paradas já realizadas: Suzano, Diadema e Osasco

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