Mais de 500 deputados pedem que Trump não abandone acordo nuclear com Irã

Londres, 19 abr (EFE).- Mais de 500 deputados de Reino Unido, França e Alemanha enviaram nesta quinta-feira uma carta a seus homólogos americanos para que convençam o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a continuar no acordo nuclear com o Irã de 2015.

Em uma carta conjunta publicada pelos jornais "The Guardian", "The New York Times" e "Le Monde" e pela revista "Der Spiegel", os parlamentares pediram à Casa Branca para reconsiderar a decisão tomada por Trump de deixar o acordo sobre o programa nuclear iraniano, firmado em julho de 2015 após mais de uma década de negociações, antes de 12 de maio.

Em janeiro, Trump fez um ultimato aos seus aliados na Europa para que negociem com ele, antes dessa data, um acordo suplementar que corrija os "defeitos" desse pacto multilateral, e afirmou que, caso contrário, seu país se retirará do acordo.

Os parlamentares afirmaram que a saída dos EUA desse acordo teria "consequências fatais" e defenderam que o Irã "cumpre com suas obrigações em virtude do tratado", conhecido como o Plano Integral de Ação Conjunta (JCPOA, na sigla em inglês).

O acordo nuclear adotado entre e Teerã e o grupo 5+1 - Rússia, China, Reino Unido, EUA, França e a Alemanha - supõe uma redução substancial das capacidades nucleares do Irã em troca da suspensão parcial das sanções e entrou em vigor em janeiro de 2016.

"O impacto a curto prazo dessa medida daria fim aos controles do programa nuclear do Irã, o que poderia levar a uma nova e devastadora fonte de conflito no Oriente Médio", afirmaram os deputados.

Ainda mais graves seriam as consequências a longo prazo, pois causaria um grande prejuízo "à credibilidade dos signatários como parceiros nas negociações internacionais e, em geral, à diplomacia como ferramenta para garantir a paz e a segurança".

"Deixar o acordo diminuiria o valor de todas as promessas e ameaças que nossos países fazem", acrescentaram os parlamentares, ao mesmo tempo em que argumentaram que seria "quase impossível" construir outra grande coalizão baseada em sanções contra o Irã. EFE