Paraguaios querem US$ 150 bilhões de reparação pela Guerra do Paraguai? Assessora do bloco de Assunção no Parlasul: 'É mentira'

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O bloco do Paraguai apresentou, recentemente, no Parlasul, um pedido de reparação histórica aos vencedores da Guerra do Paraguai — Brasil, Argentina e Uruguai, que formavam a Tríplice Aliança contra Solano López. Em sites brasileiros começou a circular que os paraguaios pediriam indenização de US$ 150 bilhões pela guerra e os estragos sociais provocados no Paraguai em decorrência do conflito. O Parlasul é um órgão democrático e legislativo da representação civil dos povos dos Estados que fazem parte do Mercosul, constituído em dezembro de 2006.

Porém, em entrevista exclusiva ao EXTRA, a historiadora Noelia Quintana, que é assessora do bloco paraguaio no Parlasul, onde apresentou sua visão historica do conflito, afirmou que se trata de "uma mentira".

— Não pedimos dinheiro. De onde tiraram essa mentira? — questionou ela. — O objetivo do Parlasul é uma reparação histórica. Mas estão mentindo. É uma mentira vil.

Noelia afirmou que, em nenhum momento, discutiu-se nenhum valor de indenização e não houve "qualquer dólar citado".

— Não é bom inventar falácias. As mentiras não constituem a irmandade regional. A reparação é moral, não econômica. Uma aceitação (por parte dos vencedores) da ações que atentaram contra o povo paraguaio. As nossas terras não vamos recuperar. Este não é o objetivo. Mas sim a aceitação de crimes de guerra que cometeram contra o meu povo para construir uma irmandade regional com base na verdade — esclareceu a historiadora.

A assessora garantiu que a iniciativa no Parlasul não fará com que os paraguaios que tiveram gerações afetadas pela guerra "peçam reparação monetária".

— Ninguém pediu dinheiro. Só queremos a aceitação dos atos cometidos, os nossos arquivos e o nosso patrimônio material que foi roubado pelo Brasil. Aos paraguaios não interessa nenhuma moeda. Queremos reperação históricas moral para tantas mentiras criadas como desculpas para os crimes que cometeram — declarou.

Para a paraguaia, a reparação se deve a "crimes" praticados pelas tropas aliadas na guerra:

— Acho que houve extermínio. É o conceito que os comandantes aliados usaram em suas cartas. Certamente o termo genocídio é cunhado após a Segunda Guerra Mundial. É por isso que falo do direito das nações e das regras de guerra do século XIX, violadas pelos aliados. Em Yatay, eles massacraram prisioneiros rendidos. Estupraram mulheres, levaram paraguaios como escravos para o Brasil e como servos para a Argentina, incendiaram hospitais e não se responsabilizaram pela população durante a ocupação militar. Houve crimes de guerra graves.

A própria imagem de Solano López, retratado no Brasil como um tirano com desejo expansionista, é distorcida, segundo Noelia:

— Solano López foi eleito por um Congresso Nacional para um período de 10 anos. A historiografia brasileira o chama de tirano, e não é correto. Tirano é quem usurpa o poder e isso foi feito por Venâncio Flores (presidente uruguaio à época da Guerra do Paraguai que chgou ao poder em um golpe, apoiado por Brasil e Argentina) com a ajuda do Império do Brasil. Francisco Solano López foi presidente de uma república.

A Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América Latina. Foi travada entre o Paraguai e a Tríplice Aliança e se estendeu de dezembro de 1864 a março de 1870.

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