Paraguaios resgatados em condição análoga à de escravidão vão voltar para casa

Os 22 paraguaios resgatados de condições análogas à escravidão em uma fábrica clandestina de cigarros, na Baixada Fluminense do Rio, vão voltar para casa. O retorno, de avião, contará com apoio do Consulado do Paraguai. Um deles não poderá embarcar porque tem mandado de prisão por tráfico de drogas, segundo o G1. No grupo, havia também um brasileiro. O galpão foi encontrado e fechado por policiais nesta sexta-feira, dia 8, em Campos Elíseos, bairro de Duque de Caxias. Neste sábado o maquinário começou a ser retirado pela Polícia Civil.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar os responsáveis pelo local e pelo maquinário. Pelo menos dois caminhões foram utilizados para retirada das máquinas e da carga de cigarro. Uma empresa trabalha no desmonte da fábrica clandestina. O Ministério Público do Trabalho já entrou no caso e constatou que os trabalhadores viviam em condições análogas à de escravidão.

Fábrica

A polícia chegou até a fábrica durante a verificação de uma denúncia de ligação irregular de energia elétrica no local. Agentes do Departamento Geral de Combate à Corrupção, Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD), em conjunto com a Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), da Secretaria de Estado de Polícia Civil (SEPOL), desconfiaram da movimentação e da reação dos trabalhadores, que se esconderam ao perceber a presença dos policiais.

No galpão foram encontrados mais de 500 caixas de cigarros que eram produzidos diariamente de forma ilegal. Segundo a polícia, os trabalhadores saíram de Ciudad Del Este, no Paraguai e viajaram de ônibus primeiro para São Paulo, de onde pegaram outro ônibus para o Rio. Os paraguaios e o brasileiro foram atraídos pela quadrilha com a promessa de emprego pelo período de quatro meses, com pagamento de salário de R$ 3 mil. Entretanto, há três meses na cidade trabalhando em condições análogas à escravidão, só o que receberam foi R$ 500. O dinheiro não era pago diretamente a eles. O combinado era depositar o pagamento na conta de familiares das vítimas.

A polícia constatou ainda que os trabalhadores que vieram do Paraguai, ao chegarem em São Paulo, tiveram os celulares foram confiscados e ninguém mais conseguiu se comunicar com a família. O trabalho acontecia de segunda à domingo, durante o dia e à noite. Os alojamentos não tinham ventilação ou janelas e a área de comida continha marcas de sujeira nas paredes. Um banheiro coletivo era utilizado pelo grupo no local.

As vítimas começaram a ser ouvidas na delegacia, e posteriormente junto à Polícia Federal, ainda na sexta-feira.

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