Paralisação se agrava nos EUA, limitando opções de Trump

Imagem de 8 de janeiro de 2019 mostra televisão na Casa Branca, em Washington, Estados Unidos, com o presidente americano na tela

O presidente Donald Trump, pressionado por uma paralisação orçamentária que se encaminha para ser a mais longa da história americana devido à sua insistência em construir um muro na fronteira com o México, se reúne nesta quarta com os líderes do Congresso para tentar alcançar um acordo.

Em seu esperado discurso no Salão Oval na noite de terça-feira, no qual adotou um tom dramático, ele tentou convencer a opinião pública da necessidade de construir uma barreira de aço na fronteira com custo de 5,7 bilhões de dólares, Trump não fez nenhuma concessão.

Mais de 800.000 funcionários federais afetados esperam uma resolução do conflito que lhes aflige desde 22 de dezembro. Muitos deles se encontram em uma licença forçada sem vencimentos, levando-os a graves problemas financeiros que pioram a cada dia.

Mas o tom das negociações ficou mais duro, e os democratas convocaram uma coletiva de imprensa na colina do Capitólio com funcionários afetados.

"Essas pessoas aqui atrás de mim ilustram os verdadeiros efeitos colaterais do 'shutdown' do presidente Trump", disse Chuck Schumer, líder da minoria democrata no Senado.

Já Trump almoçou com congressistas americanos e, mais tarde, receberá líderes de ambos os partidos na Casa Branca.

A disputa pelo muro, que faz parte das promessas de campanha de Trump, ocorre em meio a uma mudança no ciclo político nos Estados Unidos, após os democratas recuperarem, na semana passada, o controle da Câmara dos Representantes, embora os republicanos continuem tendo maioria no Senado.

"Precisamos de fronteiras fortes e de uma reforma migratórias", disse Trump nesta quarta na Casa Branca, em um dia com diversas reuniões previstas, mas poucos sinais de que alcançará um acordo.

- 'Ceder sem pagar preço político' -

Trump disse à imprensa que, se não conseguir o que quer, pode declarar estado de emergência nacional, o que lhe permitiria tomar medidas extraordinárias e obter os fundos dos militares.

"Acho que podemos trabalhar em um acordo, e, senão, podemos tomar esse caminho", disse, insistindo que tem o "absoluto direito" de utilizar essa ferramente, pensada para um estado de catástrofe, como uma epidemia, ou um ataque, apesar das advertências do Congresso de que, assim, ele poderia extrapolar suas funções.

Para a oposição, a ideia do muro é "imoral", além de cara e ineficaz. Nesta terça, Nancy Pelosi, que recuperou seu posto como líder da maioria democrata na Câmara baixa na semana passada, respondeu Trump após seu discurso e acusou-o de manter "o povo americano como refém".

"Estamos negociando. A Casa Branca parece estar mexendo as traves do gol. A cada vez que vêm com uma proposta, mudam de lugar", disse Pelosi.

O senador republicano Marco Rubio disse à Fox News que "nenhuma das partes sente que pode ceder sem pagar um preço político atroz". "Infelizmente, há duas coisas no meio do caminho: a segurança de nossas fronteiras e os homens e mulheres de nosso governo federal", acrescentou.

- Batalha pela opinião pública -

Na quinta, o presidente americano programou uma viagem à fronteira para "se reunir com os que estão na linha de frente".

"Quanto sangue americano ainda tem que ser derramado até o Congresso fazer seu trabalho? Para os que se negam a um acordo em nome da segurança da fronteira, eu pediria que imaginem se fosse seu filho, seu marido, sua mulher cuja vida ficou totalmente destroçada e estragada", disse.

Mas Pelosi negou essa versão, e disse que o problema na verdade são "as políticas cruéis contraproducentes" que tornam a fronteira mais perigosa para os migrantes vulneráveis, inclusive as famílias.

Esta parálise orçamentária está perto de ser a mais longa da história - batendo o recorde do fechamento parcial do governo de 21 dias entre o fim de 1995 e o começo de 1996, sob a presidência de Bill Clinton.