Parasita é o sistema financeiro protegido por Guedes, reage sindicato a fala do ministro

Redação Finanças
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Leo Correa/AP
Leo Correa/AP

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Entidades de diversas áreas do serviço público repudiaram declaração; há quem estude questioná-lo na Justiça.

  • "Parasita é o sistema financeiro, protegido pelo ministro da Economia, que escraviza o povo brasileiro em benefício de meia dúzia de banqueiros", afirmou uma das entidades.

A comparação que o ministro da Economia, Paulo Guedes, fez entre servidores públicos e parasitas repercutiu mal entre integrantes do funcionalismo. Uma das entidades a reagir foi o Sindilegis (sindicato dos servidores da Câmara, Senado e Tribunal de Contas da União) emitiu nota de repúdio.

"Parasita é o sistema financeiro, protegido pelo ministro da Economia, que escraviza o povo brasileiro em benefício de meia dúzia de banqueiros", afirmou o presidente do Sindilegis, Petrus Elesbão na nota.

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Segundo a Folha de S.Paulo, o sindicato informou já ter acionado seu corpo jurídico para avaliar as medidas judiciais cabíveis contra os insultos do ministro.

Ontem, em defesa do projeto de emergência fiscal, Guedes comparou servidores públicos a parasitas que estão matando o hospedeiro (o governo) ao receberem reajustes automáticos enquanto estados estão quebrados.

"O governo está quebrado, gasta 90% da receita com salário e é obrigado a dar aumento", argumentou o ministro, durante seminário sobre o Pacto Federativo, realizado nessa sexta- pela Escola Brasileira de Economia e Finanças (FGV EPGE).

"O funcionalismo teve aumento de 50% acima da inflação, além de ter estabilidade na carreira e aposentadoria generosa. O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita", disse, defendendo o fim dos reajustes automáticos.

Elesbão afirma que a postura do ministro e do governo deixa claro que não há qualquer intenção de diálogo com o serviço público no que chamam de reforma administrativa. “O que fica bastante evidente, além da profunda arrogância e desrespeito pelos trabalhadores desse país, é que estão precarizando todas as relações de trabalho e tentando desmontar o Estado que existe para proteger o cidadão. A serviço e benefício de quem?”

Ainda conforme a nota do sindicato, o vice-presidente da entidade, Alison Souza, estava no evento e condenou a postura de Guedes e de autoridades públicas que atacam os trabalhadores.

“É evidente o profundo desconhecimento de alguns agentes públicos sobre a qualidade do trabalho realizado pelos servidores –ou a imensa má fé com que tentam nos responsabilizar pela sua própria incompetência. O Brasil precisa de um ambiente equilibrado e propício aos negócios para se desenvolver. Manifestações como essa vão exatamente no sentido oposto. Nós, servidores, trabalhamos duro todos os dias para dar rumo a este País”, afirmou Souza.

Outra entidade a reagir à declaração de Guedes foi o Fonacate (Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado), que representa mais de 200 mil servidores. Também em nota, disse que Guedes desrespeita de forma gratuita a categoria.

"O Fórum afirma que ele [Paulo Guedes] demonstra desprezo com o funcionalismo, além de desconhecer a máquina pública. O grupo pede retratação pública do ministro e afirma que vai tomar medidas administrativas e judiciais."

Mais entidades reagem

A FUP (Federação Única dos Petroleiros) afirmou que repudia as declarações e que Guedes ataca de forma injusta parcela da população que serve aos governos e suas autarquias.

“O próprio ministro está cercado, convive diariamente e é servido pelo mesmo trabalhador público que agora anuncia desavergonhadamente repudiar como 'parasita'”, disse a entidade, em nota.

A Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal) disse que falta elegância e patriotismo a Guedes.“O assédio institucional que vem sendo praticado pelo sr. Paulo Guedes em relação aos servidores públicos já ultrapassa os limites legais e merece reação à altura”, disse a entidade.

Também a associação que reúne dos procuradores do Estado de São Paulo repudiou a manifestação do ministro, por meio de nota.

"A Apesp lamenta a agressão verbal do Ministro, ressaltando que os servidores públicos do estado de São Paulo e do Brasil desempenham um trabalho de vital importância para a sociedade e ao funcionamento da administração pública."

Conforme a nota da Apesp (Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo), os servidores públicos estão presentes na vida da população em áreas vitais como educação, saúde, justiça, segurança e transporte. "Se utilizasse ou necessitasse destes serviços, o ministro saberia certamente valorizá-los."

"Dessa forma, a Apesp, não apenas refuta a pecha de 'parasitas' atribuída aos servidores públicos, como também convida o ministro a se informar melhor sobre a importância que os servidores públicos têm para o povo que mora no estado de São Paulo e no Brasil."