Paratleta do halterofilismo vai à última etapa da Copa do Mundo após conquistar vaga em Tóquio

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A levantadora de peso Tayana Medeiros é mais uma atleta brasileira a conquistar a vaga na Paralimpíada de Tóquio. A classificação veio após a disputa da penúltima etapa da Copa do Mundo da modalidade, que ocorreu em Tbilisi, na Geórgia. Na competição, ela conquistou o segundo lugar no individual na categoria acima de 86 kg, além da prata por equipes mistas, ao lado de João Maria de França e Mateus Assis.

Carioca do Morro da Fé, no Complexo da Penha, Zona Norte do Rio, Tayana chegou a treinar arremesso de peso, lançamento de dardo e de disco quando era mais nova, conquistando medalha logo na primeira competição que disputou, com apenas cinco meses de treino. Entretanto, foi no halterofilismo que ela conta ter se encontrado, muito por conta do apoio do seu treinador, Claudemir Santos.

— Fiquei um pouco assustada, pois nunca tinha visto mulheres levantarem tanto peso, mas me apaixonei de uma forma que até hoje não sei explicar — conta a atleta, que começou no levantamento de peso apenas em 2016.

Apenas três meses depois do início no halterofilismo, Tayana já participava de competições, que a levaram ao Campeonato Brasileiro e à Copa do Mundo da modalidade, na Hungria, torneio classificatório para as Olimpíadas de Tóquio. No entanto, a pandemia atrapalhou os planos da atleta. No ano passado, ela teve de cumprir um período em isolamento, para evitar ser infectada pelo vírus, mas não tinha todo o material adequado para os treinos em casa.

Mas o treinador seguiu acompanhando Tayana, mesmo que à distância. Assim que foi possível, eles já retornaram aos treinos, que são realizados diariamente no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN).

— Minha preparação está sendo bem intensa, estou treinando em períodos longos, só vou para casa no final do sábado e retorno na segunda-feira de manhã. A expectativa está muito grande para trazer a minha primeira medalha paralímpica para casa. Sei que isso tudo pode mudar ainda mais a minha vida, então estou bem focada e me preparando bastante pra trazer uma medalha, independentemente de ser ouro, prata ou bronze — frisou a paratleta.

Tayana foi diagnosticada ainda criança com artrogripose, que é um conjunto de condições que envolvem limitação congênita dos movimentos das articulações, e já fez um total de 13 cirurgias para atenuar os efeitos da doença. No entanto, nada abalou o sonho da atleta, que buscará o que seria apenas a segunda medalha do país na modalidade. No Rio, em 2016, Evânio da Silva levou a prata na categoria até 88 kg e conquistou o primeiro pódio para o Brasil.

A paratleta faz parte do Projeto Paralímpico, que é fruto de uma parceria entre a Marinha do Brasil e Caixa Econômica Federal, responsável por oferecer treinamento aos atletas. Ainda neste mês, em Dubai, no Emirados Árabes, Tayana disputará a última etapa da Copa do Mundo da modalidade, último torneio antes de buscar a tão sonhada medalha olímpica.

— A expectativa para os Jogos Paralímpicos é muito grande, porque estou muito bem ranqueada em duas categorias. Ao final, vou poder escolher em qual delas vou participar, de acordo com a melhor pontuação — conta a atleta, que bateu o recorde brasileiro de Halterofilismo Paralímpico em 2019 na sua categoria.