Parceria entre sócios do Gero e do Fasano azeda e vai para a Justiça

Luciana Fróes e Leonardo Ribeiro
O Gero, em Ipanema, é uma das casas cujos sócios divergem
O Gero, em Ipanema, é uma das casas cujos sócios divergem

RIO— Amargou a relação entre os sócios dos restaurantes Gero e Fasano. Alexandre Accioly interpelou judicialmente José Auriemo Neto (presidente da JHSF) e Rogério Fasano, como revelou o colunista Lauro Jardim, do GLOBO. Acciolly cita “possíveis irregularidades” em contratos com fornecedores e no repasse dos lucros dos restaurantes Gero Ipanema, Barra e Shopping Leblon e pela operação de alimentos e bebidas do Hotel Fasano no Rio, incluindo o Fasano Al Mare e o Baretto-Londra. Já seus sócios o acusam de “arquitetar maldosamente um cenário de disputa para alavancar a sua posição nas sociedades”.

— Todas as casas do Grupo Fasano dão lucro no Brasil inteiro, enquanto no Rio amargaram prejuízos incalculáveis. Além disso, o negócio é gerido em São Paulo, à distância, o que prejudica — diz Alexandre Accioly, que é dono de 40% dos três Geros cariocas e tentou instalar um conselho fiscal na gestão: — Como durante seis meses não consegui acordo para resolvermos amigavelmente as questões, fui obrigado a entrar na Justiça.

Do outro lado, Rogério Fasano e os acionistas da JHSF disseram, em nota, que as acusações são levianas e sem fundamento:

“As sociedades vêm sendo, há anos, administradas da mesma forma, com o pleno acompanhamento e conhecimento de seus acionistas, incluindo o acionista indireto Acciolly. Há anos o Sr. Acciolly mantém administrador de sua indicação e confiança na gestão diária das empresas, o qual é acompanhado por administrador de indicação da HMI (grupo que faz a gestão dos restaurantes no Rio). Ou seja, o Sr. Acciolly tem conhecimento e entendimento — e também é responsável pela aprovação — de tudo que se passa nas sociedades”.

Acciolly diz ter identificado conflitos de interesse entre as sociedades cariocas e outros produtos desenvolvidos pela HMI e seus administradores, o que pode ter prejudicado ainda mais as unidades do Gero e Fasano. A empresa rebateu:

“Não existem situações de conflito de interesse que pudessem prejudicar as sociedades. É absolutamente inconcebível que a HMI, que tem participações que variam entre 60% e 70% nas sociedades, pudesse vir a gerenciá-las de forma a prejudicá-las.”

Os interpelados alegam ainda que há segundas intenções na ação: “O que se vê é que, agora, sabe-se lá por quais motivos, o Sr. Acciolly resolveu sair do negócio e vem arquitetando, maldosamente, todo um cenário de disputa para alavancar a sua posição nas sociedades”, diz.

Acciolly nega:

— Jamais seria leviano de entrar na Justiça se não estivesse extremamente fundamentado e com o Direito ao meu favor. Assim como jamais quis sair da sociedade. Querem me tirar porque cobro gestão. Parece que querem que eu venda as minhas ações para só assim reverterem a crise.

Apesar da briga, nada muda, por enquanto, no funcionamento das casas.