Parece que eficácia da "vacina de SP" está "lá embaixo", diz Bolsonaro

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(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quinta-feira, que a eficácia da "vacina de São Paulo parece que está lá embaixo", em aparente referência à CoronaVac, imunizante da chinesa Sinovac produzido no Brasil pelo Instituto Butantan, que teve o anúncio do percentual exato de eficácia adiado, mas que foi confirmada como acima do limiar exigido para aplicação na população.

"A eficácia daquela vacina de SP parece que está lá embaixo. Se eu errar 0,0001% vou apanhar da mídia, então não vou divulgar percentual", disse Bolsonaro em transmissão semanal ao vivo nas redes sociais.

Apesar da declaração do presidente, o Instituto Butantan informou na quarta-feira que a CoronaVac atingiu percentual de eficácia acima de 50% em teste realizado no Brasil -- o mínimo exigido pela Anvisa e a Organização Mundial da Saúde (OMS) para aplicação contra a Covid-19.

Nesta quinta-feira, a Turquia informou que a eficácia da CoronaVac em teste realizado no país ficou em 91,25%. A Sinovac pediu ao Butantan que não divulgasse a eficácia exata do teste no Brasil para consolidar o dado com os testes de outros países, de forma a obter uma eficácia única do imunizante.

Bolsonaro é crítico da CoronaVac, uma vez que o Instituto Butantan é ligado ao governo de São Paulo, comandado por seu adversário João Doria. Apesar disso, a vacina foi incluída pelo Ministério da Saúde no programa nacional de imunização.

O presidente reiterou, na transmissão desta quinta-feira, que qualquer vacina que for aprovada pela Anvisa será comprada pelo governo federal, mas acrescentou que o governo não irá propor nenhuma legislação que isente os produtores de responsabilidade por eventuaus efeitos colaterais.

"Tem gente que quer que eu baixe uma MP e diga que a responsabilidade é minha, do governo federal. Não vou assinar isso. Pode ser que não aconteça nada, pode ser que seja efetiva e atinja seus objetivos, não posso me responsabilizar, quem está com pressa que se responsabilize", afirmou.

(Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)