'Parece que perdemos', reconhece líder opositora bielo-russa

·3 minuto de leitura
(Arquivo) Svetlana Tijanovskaya, líder da oposição bielo-russa, em entrevista coletiva em Bruxelas, em 21 de setembro de 2020

A volta à democracia em Belarus vai levar "mais tempo" e, "por enquanto, parece que perdemos" - reconheceu a líder da oposição bielo-russa, Svetlana Tijanovskaya, no exílio, em entrevista publicada neste sábado (20) pelo jornal suíço Le Temps.

A opositora também anunciou, na mesma entrevista, que pretende viajar à Suíça em março para pedir às autoridades que abram uma investigação sobre "os ativos ocultos e os esquemas de corrupção" do presidente Alexander Lukashenko nesse país.

"Tenho de admitir. Perdemos a rua, não temos como combater a violência do regime contra os manifestantes. Eles têm as armas, têm a força. Então, sim, por ora parece que perdemos",afirmou Svetlana, que teve seu marido preso em Belarus no ano passado, depois de tentar concorrer à Presidência.

Segundo ela, "o retorno à democracia vai levar mais tempo do que o previsto".

Ainda assim, a opositora, de 38 anos e mãe de dois filhos, faz um apelo aos bielo-russos para que construam as estruturas "para as lutas de amanhã", apesar do cansaço e do medo.

"Nossa estratégia é nos organizarmos melhor, pôr o regime sob pressão constante, até que as pessoas estejam prontas para voltar às ruas, talvez na primavera", completou.

Ela se declarou, no entanto, "incapaz de pedir aos bielo-russos que se coloquem em perigo" e defendeu o princípio de uma "revolução pacífica".

Se as medidas relacionadas com a pandemia da covid-19 permitirem, Svetlana, que se encontra exilado na Lituânia, irá à Suíça em março. Ela pretende se reunir com o presidente do Parlamento "para abordar a questão dos direitos humanos en Belarus".

Ela também pretende se encontrar com a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a chilena Michelle Bachelet, para discutir "instrumentos que permitam restabelecer a justiça" em seu país.

A polêmica reeleição de Lukashenko em agosto passado, considerada fraudulenta pela oposição e por países ocidentais, gerou um movimento de protesto sem precedentes no território. A isso, o governo reagiu com detenções em massa.

Na sexta-feira (19), a União Europeia condenou a "intimidação" e a condenação judicial a jornalistas em Belarus, defendendo que essa conduta "deve acabar", de modo a permitir que os repórteres possam realizar seu trabalho no país.

"Condenamos todos os ataques à imprensa. Pedimos às autoridades [de Belarus] que parem de atacar os veículos de imprensa e que permitam que façam seu trabalho, porque Katerina [Bajvalova] e Daria [Shultsova] foram condenadas por fazer seu trabalho como jornalistas", disse o porta-voz da diplomacia da UE, Peter Stano.

"Estamos sendo testemunhas desta intimidação contínua que se intensificou esta semana, não apenas com a condenação de Katerina e Daria, mas também com as buscas policiais nas casas de ativistas e de membros da sociedade civil, defensores dos direitos humanos, sindicatos e também vários jornalistas. Mais uma vez, isso é inaceitável", acrescentou.

A situação em Belarus será objeto de discussões em uma reunião de ministros das Relações Exteriores da UE em Bruxelas na segunda-feira (22).

A UE já anunciou sanções ao presidente Alexander Lukashenko, a seu filho e a 53 membros de seu entorno, incluindo ministros e chefes de polícia responsáveis pela repressão aos protestos depois das eleições presidenciais de 9 de agosto.

apo/sba/mab/mis/aa/tt